Escalada do conflito entre EUA e Irã impulsiona alta dos DIs, mas sem disparada
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Os juros futuros negociados na B3 registraram firme alta no pregão desta segunda-feira, 2, que se seguiu ao acirramento das tensões no Oriente Médio, mas a deterioração foi relativamente comedida se comparada à reação dos mercados no exterior. Os trechos médios e longos abriam cerca de 9 a 10 pontos-base na etapa final da sessão, mesmo com o retorno dos Treasuries em forte elevação e a disparada do petróleo, enquanto a parte curta subia cerca de 3 pontos-base.
Segundo agentes, a piora no mercado de renda fixa em resposta à escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã no fim de semana não foi tão acentuada, porque sucedeu outra sessão de ascensão das taxas futuras. Na sexta-feira, quando o IPCA-15 de fevereiro bastante acima do esperado foi divulgado, os vértices já haviam aumentado em torno de 10 pontos-base em toda a extensão da curva. Além disso, a proximidade do início do ciclo de cortes da Selic - que, na visão de profissionais do mercado, está mantido para março - atenua aumento maior dos prêmios de risco.
Especialistas ponderaram, ainda, que o efeito da alta do petróleo sobre a inflação doméstica tende a ficar concentrado no curto prazo, sem alterar de forma significativa o plano de voo do Copom, o que limita o impacto do conflito sobre os DIs.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 13,277% no ajuste anterior a 13,305%. O DI para janeiro de 2029 avançou a 12,745%, vindo de 12,645% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 subiu de 13,03% no ajuste de sexta-feira para 13,115%.
Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, os juros futuros sofreram menos porque já haviam avançado no pregão anterior, digerindo a inflação mais pressionada de fevereiro. Também não houve alteração significativa na trajetória de política monetária precificada pela curva futura, destaca ele, na medida em que o impacto do barril de óleo mais caro é inflacionário no curto prazo, mas, em um segundo momento, é um "detrator" de crescimento. "Como os impactos são ambíguos, o ciclo não se altera. Mas o cenário externo pode fazer com que o Copom vá mais devagar em um primeiro momento."
Em seus cálculos, a curva precificava na parte da tarde cerca de 80% de chance de corte de 50 pontos-base do juro básico na reunião deste mês do Copom, ante 20% de probabilidade de redução de 25 pontos-base, porcentuais praticamente iguais ao da última sexta-feira. Já a taxa apontada para o final de 2026 subiu levemente, de 12,25% para 12,35%. Na quinta-feira, antes do IPCA-15, estava em 12,05%.
No boletim Focus, que tem informações com data de corte até a última sexta, a mediana de projeções para a Selic em dezembro recuou de 12,13% para 12%. E, na avaliação de Serrano, deve permanecer nesse nível. "A inflação de curto prazo não define condução da política monetária porque estamos discutindo sobre 12 a 18 meses à frente", pontuou.
O diretor de análise da Zero Markets Brasil, Marcos Praça, avalia que o confronto no Oriente Médio não deve se estender por mais de quatro semanas, podendo durar até menos que o previsto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Praça aponta que, sem aliados como China e Rússia no front, com capacidade reduzida de resposta aos ataques conjuntos dos EUA e de Israel e líderes já abatidos no confronto, o Irã não deve responder de igual para igual.
Sobre a flexibilização monetária por aqui, o diretor avalia que o confronto pode fazer com que o ajuste inicial na Selic seja menor, de 0,25 ponto, e que o corte total na Selic também seja menos intenso do que o previsto por agentes mais otimistas. "Para quem esperava um corte mais acelerado, deve ser mais gradual, pisando em ovos."
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