Dólar cai 0,89% em dia de correção com alívio na aversão ao risco
Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline
Após arrancada nos dois últimos pregões, em que acumulou valorização de 2,56%, o dólar encerrou a sessão desta quarta-feira, 4, em queda de 0,89%, a R$ 5,2182, com mínima de R$ 5,1941. A moeda americana recuou na comparação com divisas fortes e emergentes, em dia marcado por recuperação de ativos de risco na esteira da diminuição dos temores de um conflito mais amplo e duradouro no Oriente Médio.
As cotações do petróleo, principal termômetro das expectativas dos investidores, apresentaram oscilações modestas, alternando entre leves altas e baixas. No fim da tarde de ontem, a commodity, que chegou a exibir avanço de mais de 9%, já moderava bastante os ganhos. Investidores assimilaram a promessa de Donald Trump de garantir o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da oferta global de petróleo. Nesta tarde, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou que os EUA trabalham em um plano para garantir a segurança do estreito.
"O Estreito de Ormuz é o termômetro da estabilidade global no momento. Se houver bloqueio, a narrativa de pouso suave da economia global dá lugar ao medo da estagflação", afirma Luiz Fioreze, diretor de portfólio da Oryx Capital. "A interrupção do fluxo de petróleo pelo estreito é um gatilho para um novo choque inflacionário que pode paralisar os planos de flexibilização monetária das principais economias do mundo".
Mais cedo, saiu a informação de que estariam sendo abertos canais de negociação entre Irã e Estados Unidos, o que foi imediatamente negado por autoridades iranianas. Fontes relataram ao The Wall Street Journal que o Irã tem capacidade de promover ataques com mísseis por apenas mais alguns dias.
Para a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, a taxa de câmbio passou por uma correção técnica, com devolução de parte da alta observada nos últimos dois dias com a escalada da guerra. Ela pondera que, a despeito do alívio, a perspectiva é de manutenção de um ambiente de mais volatilidade, com o vaivém das informações sobre o conflito no Oriente Médio.
"Seguimos com um cenário ainda bastante instável e perspectiva de bastante volatilidade nos próximos dias por conta da questão geopolítica", afirma Quartaroli, lembrando que na sexta-feira, 6, será divulgado o relatório de emprego nos EUA (payroll) referente a fevereiro, o que pode mexer com apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). "Ainda é cedo para saber qual será o impacto do conflito na condução da política monetária aqui e nos Estados Unidos".
Na terça, o dólar à vista chegou a superar R$ 5,30 ao longo do pregão e terminou o dia no maior valor de fechamento desde 26 de janeiro (R$ 5,2797). A divisa acumula alta de 1,64% neste início de março, após queda de 2,16% em fevereiro. No ano, a moeda americana perde 4,93% em relação ao real, que ainda apresenta no período o melhor desempenho entre as divisas emergentes mais líquidas.
À tarde, o BC informou que o fluxo cambial em fevereiro foi positivo em US$ 5,429 bilhões, com entrada líquida de US$ 2,906 bilhões pelo canal financeiro, que abrange os investimentos em carteira, como renda fixa e bolsa. No ano, o saldo total é positivo em US$ 10,496 bilhões, com aporte líquido de US$ 9,128 bilhões pelo canal financeiro. Em igual período de 2025, o fluxo cambial total foi negativo em US$ 7,5 bilhões.
O economista Sergio Goldenstein, sócio e fundador da Eytse Estratégia, observa que o real apresentou o melhor desempenho entre moedas emergentes no mês passado, à exceção do peso argentino, em razão da "rotação de portfólios para fora dos EUA e maior apetite por ativos locais", refletido na "entrada de capitais pelo segmento financeiro".
Últimas em Economia
Mais lidas no TNOnline
Últimas do TNOnline