Testemunhas de Jeová atualizam política sobre transfusões de sangue
Nova diretriz autoriza que fiéis utilizem o próprio sangue em cirurgias, mas mantém veto rigoroso à doação de terceiros
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As Testemunhas de Jeová atualizaram sua política doutrinária e passarão a permitir que seus integrantes utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos. Com a mudança, os fiéis agora podem ter o sangue removido, armazenado e posteriormente "devolvido" ao corpo, técnica comum em cirurgias pré-agendadas. Apesar da flexibilização, a proibição de receber transfusões de sangue de outras pessoas permanece inalterada para os cerca de nove milhões de seguidores do movimento em todo o mundo, dos quais 900 mil residem no Brasil.
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O anúncio foi feito por Gerrit Losch, um dos líderes globais do grupo, que justificou a medida afirmando que cada cristão deve possuir autonomia para decidir como seu sangue será utilizado em cuidados cirúrgicos. Segundo o site oficial da organização, a recusa de sangue de terceiros é baseada em interpretações do Antigo e do Novo Testamento que ordenam a abstinência de sangue. Um porta-voz do movimento reiterou que a crença fundamental sobre a "santidade do sangue" não sofreu modificações, mesmo com a nova diretriz para procedimentos autólogos.
A atualização gerou críticas entre ex-membros, que consideram a medida insuficiente para salvar vidas em situações críticas. O americano Mitch Melon destacou que, em casos de emergências graves ou tratamentos oncológicos pediátricos que exigem múltiplas transfusões de doadores, a nova regra não oferece liberdade de consciência nem resolve o impasse médico. Para esses críticos, a mudança falha ao não permitir intervenções vitais baseadas em sangue doado.
O debate sobre o tema também tem avançado na esfera jurídica internacional. Em dezembro do ano passado, a Justiça da Escócia interveio em um caso envolvendo uma adolescente de 14 anos que recusava o procedimento. Mesmo diante da negativa da jovem por motivos religiosos, um tribunal em Edimburgo autorizou os médicos a realizarem transfusões caso a vida da paciente estivesse em risco após uma cirurgia. Na ocasião, a juíza Lady Tait alegou que o benefício à saúde e a preservação da vida da criança deveriam prevalecer.
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