Saiba por que o Mounjaro e outras canetas emagrecedoras podem causar pancreatite
Mecanismo de ação dos fármacos que estimulam o pâncreas é o foco das investigações após alertas de agências reguladoras internacionais.
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O uso do Mounjaro (tirzepatida) e de outros medicamentos da classe dos agonistas de receptores de GLP-1, como o Wegovy e Ozempic, trouxe resultados sem precedentes no tratamento da obesidade, mas também acendeu um alerta na comunidade médica: a associação com a pancreatite aguda. Recentemente, a agência reguladora do Reino Unido (MHRA) reforçou que esses fármacos podem estar ligados a inflamações graves no pâncreas, exigindo atenção redobrada de pacientes e médicos.
- LEIA MAIS: Reino Unido alerta para pancreatite associada a canetas emagrecedoras
A razão pela qual o Mounjaro e fármacos similares podem afetar o pâncreas reside na forma como eles operam no organismo. Esses medicamentos mimetizam hormônios naturais que sinalizam ao cérebro a sensação de saciedade e regulam a liberação de insulina.
O pâncreas possui receptores para esses hormônios. Ao serem "superestimulados" pelas doses sintéticas contidas nas canetas emagrecedoras, pode ocorrer uma sobrecarga enzimática. Em vez de serem liberadas no trato digestivo, as enzimas digestivas podem ser ativadas precocemente ainda dentro do pâncreas, passando a "digerir" o próprio órgão, o que caracteriza a pancreatite.
Fatores que aumentam a vulnerabilidade
Embora o efeito colateral seja considerado raro, especialistas apontam que certos perfis apresentam maior risco ao utilizar o Mounjaro:
- Histórico prévio: Pacientes que já tiveram episódios de pancreatite.
- Cálculos biliares: A presença de pedras na vesícula é um dos principais gatilhos para inflamações pancreáticas.
- Triglicerídeos altos: Níveis muito elevados de gordura no sangue potencializam o risco inflamatório.
- Consumo de álcool: A mistura de substâncias irritantes ao pâncreas com a medicação eleva o perigo.
A pancreatite associada ao Mounjaro geralmente ocorre nos períodos de escalonamento de dose — quando o paciente aumenta a miligramagem da injeção semanal. É nesse momento que o corpo sofre o maior impacto metabólico, exigindo que o pâncreas se adapte rapidamente à nova carga hormonal.
A recomendação é que usuários dessas terapias fiquem atentos à "dor em barra": uma dor intensa na parte superior do abdome que parece "atravessar" o corpo em direção às costas. Náuseas que não passam com antieméticos comuns e febre também são sinais de alerta para a interrupção imediata do fármaco e busca por um pronto-socorro.
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