Polícia indicia filhas e marido que forjaram fuga e assassinaram mulher por herança
Deise Carmem foi morta após o Natal de 2025 e jogada em um rio; segundo a investigação, as suspeitas viam a mãe como um obstáculo para acessar os bens
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A Polícia Civil indiciou nesta segunda-feira (6) duas filhas e o marido pelo assassinato da servidora pública e empresária Deise Carmem de Oliveira Ribeiro, de 55 anos, ocorrido em Peixe, na região sul do Tocantins. O inquérito concluiu que as filhas planejaram uma emboscada motivadas por interesses financeiros e conflitos familiares, pois consideravam a mãe um obstáculo para acessar os bens da família. O marido da vítima foi indiciado por atuar na eliminação de registros relevantes logo após o crime.
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O assassinato ocorreu pouco depois do Natal de 2025. De acordo com as investigações, no dia 26 de dezembro daquele ano, Deise Carmem foi levada para uma área rural nas proximidades da Vila Quixaba. No local, a vítima foi morta com diversos golpes de faca e teve o corpo jogado no rio Santa Tereza. O cadáver foi localizado em estado avançado de decomposição apenas no dia 1º de janeiro de 2026, quando um morador da região avistou o corpo boiando e acionou o Corpo de Bombeiros.
Para despistar a polícia e atrasar as buscas, as filhas adotaram uma estratégia premeditada de ocultação. A Polícia Civil explicou que as indiciadas compraram um aparelho celular no nome da mãe e passaram a enviar mensagens aos parentes simulando que a empresária havia decidido ir embora por conta própria. O delegado destacou que a apuração demonstrou de forma consistente a atuação conjunta das investigadas, ressaltando o uso de meios tecnológicos para tentar mascarar o homicídio.
Os três suspeitos estão presos preventivamente desde fevereiro. O inquérito, conduzido pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe com o apoio da 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Gurupi, foi encaminhado à Justiça. O caso passa agora para a análise do Ministério Público Estadual, que definirá sobre o oferecimento da denúncia criminal. Em nota, a defesa da família informou que tomará todas as medidas legais cabíveis para garantir que o exercício do contraditório e da ampla defesa ocorra em sua plenitude.
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Íntegra da nota da defesa
"A defesa técnica de Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro e Jose Roberto Ribeiro, diante da recente conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Tocantins e das solicitações de pronunciamento enviadas por este veículo de comunicação, vem a público esclarecer que recebeu com absoluta serenidade o relatório final apresentado pela autoridade policial em 1º de abril de 2026. A conclusão do inquérito é uma etapa natural do rito processual e, para os investigados, representa o início da oportunidade de confrontar judicialmente as hipóteses levantadas na fase inquisitorial.
É imperativo reconhecer o excelente e exaustivo trabalho desempenhado pela Polícia Judiciária e pela Superintendência da Polícia Científica do Estado do Tocantins. Contudo, muito embora o esforço investigativo seja notório, a defesa sublinha que inúmeras lacunas fundamentais restam a ser preenchidas. A narrativa policial, em diversos pontos, carece de lastro probatório técnico e se baseia em interpretações que serão devidamente contestadas no foro adequado.
A defesa destaca que a própria autoridade policial, em seu relatório final, admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular Jose Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver. O indiciamento deste restringe-se exclusivamente a uma suposta supressão de mensagens digitais, o que afasta, de plano, qualquer participação nos crimes investigados.
A defesa tomará todas as medidas legais cabíveis assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude. Confiamos que, sob o crivo do Poder Judiciário e com a devida paridade de armas, as lacunas hoje existentes serão sanadas, restabelecendo-se a justiça e a verdade real sobre os fatos.
A defesa permanece à disposição das autoridades e da sociedade, reiterando o compromisso com a legalidade e a presunção de inocência".
As informações são do G1.