“Pode comer essa piranha”: policiais trocam mensagens sobre estupro em delegacia
Os diálogos, extraídos de um celular funcional furtado da delegacia em outubro de 2025, referem-se a um grupo intitulado “DHPP/Assuntos Oficiais”
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A Polícia Civil de Mato Grosso determinou o envio imediato de uma equipe da Corregedoria-Geral à delegacia de Sorriso, no norte do estado, após a circulação em redes sociais de mensagens atribuídas a policiais da unidade que sugerem graves violações, como abuso sexual contra detentas, tortura de investigados e possível forja de provas.
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A corporação afirmou que a medida visa reforçar e acelerar as apurações já em curso, diante da gravidade das conversas vazadas. Os diálogos, extraídos de um celular funcional furtado da delegacia em outubro de 2025, referem-se a um grupo intitulado “DHPP/Assuntos Oficiais”. Em um trecho, ao comentar sobre uma mulher presa, um participante escreve: “Uma escaldada nessa piranha, rapaz, pode comer”. Outras mensagens mencionariam agressões físicas, instalação de aplicativos espiões e uso repetido de uma mesma arma para simular confrontos.
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A Polícia Civil informou que a autenticidade das mensagens ainda será verificada e que, caso sejam confirmadas, não guardariam relação direta com um estupro ocorrido em dezembro de 2025 na mesma unidade. Nesse caso, uma mulher presa relatou ter sido violentada quatro vezes por um investigador, que foi preso em 1º de fevereiro e indiciado por estupro e abuso de autoridade.
Além desse episódio, advogados criminalistas já haviam formalizado denúncia contra a delegacia em dezembro com base nos prints vazados. Há ainda um registro anterior, de janeiro de 2024, em que uma jovem denunciou ter sido agredida, levada a um matagal e ameaçada de violência sexual por policiais.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso e o Tribunal de Defesa das Prerrogativas encaminharam ofícios à Corregedoria solicitando providências. Em nota, a Polícia Civil afirmou que apurará o contexto das mensagens e eventuais desvios de conduta, reforçando que não tolera práticas ilegais e que os responsáveis serão punidos.
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