PF mira aplicações de R$ 1 bilhão do Rioprevidência no Banco Master
Operação apura irregularidades em 9 operações financeiras que teriam exposto fundo dos servidores estaduais a riscos incompatíveis com sua finalidade
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A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (23), a Operação Barco de Papel, tendo como alvo o presidente e diretores do Rioprevidência. A ação investiga suspeitas de irregularidades em aportes de quase R$ 1 bilhão realizados pela autarquia no Banco Master.
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Agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal. O objetivo é apurar a conduta dos gestores do fundo, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores inativos do estado.
De acordo com a PF, a investigação concentra-se em nove operações financeiras executadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Neste período, aproximadamente R$ 970 milhões do fundo público foram aplicados em Letras Financeiras emitidas pelo banco privado. A corporação afirma que tais transações expuseram o patrimônio da autarquia a um "risco elevado e incompatível com sua finalidade".
Histórico de alertas
As transações entre o Rioprevidência e o Banco Master já estavam na mira dos órgãos de controle. Em maio, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) alertou para "graves irregularidades" na gestão dos recursos.
A situação escalou em outubro, quando o TCE determinou uma tutela provisória impedindo novas transações com a instituição financeira. Na ocasião, o conselheiro Jose Gomes Graciosa criticou a gestão do fundo: "Chega de decisões sem transparência, chega de colocar em risco a aposentadoria daqueles que colaboraram com a construção deste estado".
Investigações jornalísticas anteriores apontavam que a exposição do fundo ao grupo liderado pelo Banco Master poderia chegar a R$ 2,6 bilhões, motivada por taxas de retorno supostamente mais atrativas que as da concorrência.
O outro lado
Em posicionamentos anteriores, o Rioprevidência contestou os valores totais divulgados, afirmando que o montante efetivamente aplicado foi de cerca de R$ 960 milhões em Letras Financeiras, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. A autarquia informou ainda que estava em negociação para substituir esses ativos por precatórios federais.
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