Erick Serafim Zuccolotto, representante comercial, narrou os últimos momentos que teve com a filha Selena Zagrillo, de 12 anos, uma das vítimas morta no ataque a tiros a duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo. Ele conta que no dia anterior assistiu ao jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo ao lado de Selena. Na manhã de sexta-feira (25/11), dia do ataque, levou a menina para a escola, onde ela faria as provas finais. Eles tinham planos de viajar nas férias.
“Me despedi, desejei boa sorte na prova e esperava que fosse buscá-la no horário normal. Mas não foi assim que ocorreu, infelizmente”, lamentou.
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Serafim também relatou como foi o momento em que soube que a filha estava entre as vítimas do atentado. Após buscar em hospitais e nas escolas, descobriu por meio de um professor que estava na sala de aula na hora do ocorrido.
“Ele, aos prantos, não conseguiu dizer toda a frase, mas deixou claro que a Selena estava morta dentro da sala de aula. Foi quando meu pai me ligou e falou pra eu voltar de Aracruz que a Selena estava lá. Não adiantava mais procurar”, narrou.
MEDO DA IMPUNIDADE
A filha de Serafim morreu após um adolescente de 16 anos abrir fogo contra professores e alunos, na última sexta-feira (25/11). O autor do atentado é filho de um policial militar e a família teme que a investigação do caso sogra interferência por conta disso.
“Esperamos que tenha uma investigação justa, sem interferência. A gente sabe da posição do pai do assassino. Então, tenho muito receio de que a justiça não seja feita. Já sabemos que o rapaz, por ser menor, daqui dois ou três anos já está em liberdade novamente”, disse.
“Ele [pai do autor] deu entrevista dizendo que a culpa foi da internet, mas onde estava esse pai para acompanhar o que ele fazia na internet, o que o filho aprendia na internet?”, questionou Serafim.
O policial deu uma entrevista afirmando que acredita que o filho foi induzido a cometer o atentado. No entanto, em depoimento à polícia, o adolescente alegou ter começado a planejar o atentado após sofrer bullying na escola em 2019. O pai do autor do atentado negou que tenha ensinado o filho a atirar.
“[O atirador] teve acesso às duas armas do pai. Ele não teve acesso apenas uma vez para cometer o atentado, ele treinava, praticava. As gravações mostrando como portou [a arma], como atirou, a gente percebe que não era alguém transtornado atirando a esmo, alguém que não sabia o que estava fazendo. Ele sabia muito bem o que tava fazendo”, disse Erick.
Com informações do Metrópoles.







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