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Ex-morador de rua é aprovado em universidade federal: "me viam como bandido

Walmerinston Paixão Corrêa, de 64 anos, cursará Letras na Universidade Federal do Pará

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Ex-morador de rua é aprovado em universidade federal:
Autor Walmerinston Paixão Corrêa viveu 20 anos nas ruas - Foto: Agência Pará/Reprodução

Após viver 20 anos em situação de rua e passar quase cinco décadas longe da sala de aula, Walmerinston Paixão Corrêa, de 64 anos, foi aprovado no vestibular de 2025 da Universidade Federal do Pará (UFPA). O estudante, que cursará Letras, concluiu os ensinos Fundamental e Médio por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), programa da rede estadual de ensino do Pará.

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A aprovação marca uma virada na trajetória de Walmerinston, que encontrou nos estudos uma forma de superar a vulnerabilidade social. Durante o período em que viveu nas ruas da capital paraense, ele recorria a livros encontrados no lixo para estudar por conta própria, como forma de enfrentar o preconceito.

“Decidi mudar por conta das humilhações diárias. Quando eu dava uma opinião, ouvia coisas como ‘o que tu sabes, se nem estudas?’. Então comecei a recolher livros e estudar. Isso foi essencial para minha aprovação”, relata o novo universitário. Agora, seus objetivos são a graduação, atuar como professor e publicar um livro.

Retomada pelo ensino público

O reingresso de Walmerinston ao sistema formal de ensino ocorreu inicialmente na Escola Estadual Gregório de Almeida Brito, em Ananindeua, onde concluiu o Ensino Fundamental. Posteriormente, finalizou o Ensino Médio na Escola Estadual Luiz Nunes Direito.

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"Passei 46 anos fora da escola e senti os impactos disso. Saí do 8º ano aos 17 anos e, por estar nas ruas, era julgado de forma errada. Sempre fiz pequenos trabalhos, mas as pessoas me viam como um bandido, um viciado. A escola foi onde meu horizonte começou a se abrir novamente. No início, senti vergonha por estar ao lado de jovens atualizados, e tive dificuldade para assimilar os conteúdos. Nem esperava ser aprovado na universidade, pensava em tentar outra vez com mais calma", relatou.

Segundo a coordenadora da Educação de Jovens e Adultos (CEJA), Ana Cláudia Neves, o caso reforça o papel social da escola pública na ressignificação de vidas. “O senhor Corrêa ainda sobrevive da coleta de recicláveis, mas decidiu voltar. A escola deve criar oportunidades e motivar alunos para um futuro mais digno”, afirmou.

O secretário de Estado de Educação do Pará, Rossieli Soares, destacou a EJA como uma política pública essencial para correção de fluxo e inclusão. “É gratificante acompanhar histórias de quem enfrentou medos e abraçou a educação independentemente da idade. A conquista do Walmerinston é uma inspiração para todos que fazem parte da EJA”, disse.

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Para o calouro da UFPA, a matrícula na universidade representa mais do que um diploma, mas uma reintegração à sociedade. “A escola transforma. Se não houver investimento na educação, não deixaremos um legado positivo para o futuro. Quero aproveitar cada oportunidade e mostrar que a sarjeta não é o fim”, concluiu Walmerinston.

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