Estudo revela que garrafas de plástico podem virar remédio para Parkinson
Os pesquisadores utilizaram bactérias geneticamente modificadas para converter moléculas derivadas do plástico
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Garrafas plásticas descartadas podem ganhar uma nova utilidade: servir como matéria-prima para a produção de medicamentos. É o que aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (16) na revista científica Nature Sustainability.
A pesquisa indica que resíduos de plástico do tipo PET, material comum em garrafas e embalagens, podem ser transformados em L-DOPA, substância amplamente utilizada no tratamento da Doença de Parkinson.
O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido. Durante os experimentos, os pesquisadores utilizaram bactérias geneticamente modificadas para converter moléculas derivadas do plástico em compostos necessários para a produção do medicamento.
Segundo os autores, o método demonstra que resíduos plásticos podem ser reaproveitados como base para fabricar substâncias farmacêuticas relevantes, o que poderia contribuir tanto para a redução da poluição quanto para o desenvolvimento de novas formas industriais de produzir medicamentos.
O processo começa com a degradação do plástico PET em moléculas menores. Entre elas está o ácido tereftálico, um dos principais componentes desse material. A partir dessa substância, os cientistas utilizaram bactérias Escherichia coli modificadas em laboratório.
Nos microrganismos, foram inseridos genes capazes de criar uma rota biossintética específica, permitindo que as células bacterianas convertam o composto derivado do plástico em L-DOPA por meio de diferentes etapas químicas.
Em testes realizados em laboratório, o método conseguiu produzir cerca de cinco gramas da substância por litro, indicando que a estratégia pode funcionar como uma nova forma de fabricação do medicamento. Os pesquisadores também demonstraram que o processo é capaz de utilizar não apenas matéria-prima industrial, mas também plástico proveniente de uma garrafa descartada.
Como a L-DOPA atua no tratamento
A L-DOPA é considerada o tratamento mais eficaz para controlar os sintomas motores da Doença de Parkinson, uma condição neurodegenerativa que afeta principalmente os movimentos.
No organismo, o medicamento é convertido em dopamina, neurotransmissor essencial para o controle motor. A redução dessa substância no cérebro está associada a sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão de movimentos, razão pela qual a L-DOPA é utilizada há décadas no tratamento de milhões de pacientes em todo o mundo.
Além da aplicação médica, os pesquisadores destacam que o estudo abre novas possibilidades para o reaproveitamento de resíduos plásticos. Atualmente, grande parte do PET produzido globalmente acaba em aterros sanitários ou no meio ambiente.
A proposta dos cientistas é utilizar microrganismos para transformar moléculas presentes nesse material em produtos de maior valor agregado, como medicamentos. Essa estratégia está alinhada ao conceito de economia circular, que busca reutilizar resíduos como matéria-prima em novos processos produtivos.
Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que a técnica ainda está em estágio inicial. Os testes foram realizados apenas em laboratório, e será necessário aprimorar a eficiência do método antes que ele possa ser aplicado em escala industrial.
Informações: Metrópoles
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