Estudo revela que bactéria intestinal pode estar ligada à perda de memória
A pesquisa aponta que o microrganismo pode afetar os circuitos neurais ligados à memória e ao aprendizado
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Pesquisadores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, identificaram uma bactéria intestinal que pode estar associada à perda de memória. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (11), foi publicado na revista científica Nature.
A pesquisa aponta que o microrganismo Parabacteroides goldsteinii pode interferir na comunicação entre o intestino e o cérebro, afetando circuitos neurais ligados à memória e ao aprendizado.
Os experimentos foram realizados com camundongos jovens e indicam que alterações específicas na microbiota intestinal — o conjunto de microrganismos presentes no sistema digestivo — podem influenciar diretamente o funcionamento do cérebro.
Comunicação entre intestino e cérebro
O intestino humano abriga trilhões de microrganismos responsáveis por diversas funções do organismo, como digestão, metabolismo e defesa imunológica. Nos últimos anos, cientistas têm investigado com maior profundidade o chamado eixo intestino-cérebro, um sistema de comunicação que conecta o trato digestivo ao sistema nervoso.
Esse diálogo ocorre por diferentes vias, incluindo hormônios, substâncias produzidas pelas bactérias intestinais e sinais transmitidos por nervos que ligam diretamente o intestino ao cérebro. Quando esse equilíbrio é alterado, não apenas a digestão pode ser afetada, mas também funções neurológicas.
Durante o estudo, os pesquisadores observaram que a bactéria Parabacteroides goldsteinii tende a se tornar mais abundante com o envelhecimento dos animais.
Para avaliar o impacto desse microrganismo, os cientistas introduziram a bactéria em camundongos jovens. Após o procedimento, os animais passaram a apresentar dificuldades de memória semelhantes às observadas em camundongos mais velhos.
Os resultados sugerem que a presença da bactéria pode não apenas acompanhar o envelhecimento, mas também contribuir para o declínio cognitivo observado nos testes.
Apesar dos achados, os autores ressaltam que o estudo foi realizado apenas em modelos animais. Ainda assim, a descoberta reforça uma linha crescente de pesquisas sobre a influência da microbiota intestinal no funcionamento do cérebro.
Segundo os cientistas, compreender melhor essa relação poderá, no futuro, ajudar no desenvolvimento de novas estratégias para lidar com a perda de memória associada ao envelhecimento. No entanto, eles destacam que serão necessários novos estudos — incluindo pesquisas com seres humanos — para confirmar se o mesmo mecanismo também ocorre nas pessoas.
Informações: Metrópoles
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