Leia a última edição
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Cotidiano

publicidade
SÃO PAULO

Caso Vitória: show midiático e trapalhadas marcam ofensiva da polícia

Homicídio brutal de adolescente de 17 anos vira palco para circo midiático, com perícias televisionadas e informações oficiais erradas

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Caso Vitória: show midiático e trapalhadas marcam ofensiva da polícia
Autor Foto: Sam Pancher/ Metrópoles

Com diversas linhas de investigação, pelo menos uma dúzia de suspeitos e nenhum preso, o assassinato brutal da jovem Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, deu origem a um show de horrores midiático patrocinado pela polícia. O espetáculo contou com perícias realizadas diante de dezenas de jornalistas e televisionadas ao vivo, a divulgação de informação oficial falsa e até briga em delegacia.

?? LEIA MAIS: Homem morre eletrocutado na Colônia Esperança em Arapongas

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Vitória Regina foi encontrada sem vida na última quarta-feira (5/3), após passar uma semana desaparecida. O corpo da garota estava decapitado, com diversas marcas de violência e completamente nu. Vitória teve o cabelo raspado e um sutiã amarrado ao pescoço.

A menina havia sido vista pela última vez no último dia 26, após deixar o trabalho no restaurante de um shopping. Câmeras de segurança gravaram ela caminhando até um ponto de ônibus. Ela desceu sozinha no ponto final, em Ponunduva, bairro onde morava com a família.

No trajeto, enviou áudios e mensagens para uma amiga dizendo que estava com medo de dois homens que estavam num carro e a assediaram.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na quinta-feira (7/3), um dia após o corpo ser encontrado, o delegado Aldo Galiano, titular da Seccional de Franco da Rocha, disse a jornalistas que suspeitava de um ex-namorado da vítima. A equipe de investigação pediu a prisão do rapaz, que foi negada pela Justiça, sob a justificativa de que não havia elementos a corroborar a medida cautelar.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) chegou a divulgar a informação falsa de que a Justiça havia determinado a prisão, o que foi amplamente replicado pela imprensa.

No mesmo dia, Galiano realizou uma entrevista coletiva em que apresentou as supostas linhas de investigação do caso. Uma delas, segundo o delegado, é que o crime teria relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O motivo, diz ele, é o fato de que meses antes um homem supostamente ligado à facção teria sido preso na mesma região.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Há um inquérito apurando essa prisão. Então, a gente está linkando todos esses dados. O que nos falta é fechar os pontos. […] As raspagens do cabelo e a crueldade do ato são um sinal de facção criminosa”, disse ao Metrópoles.

Na ocasião, ele também levantou a hipótese de que o crime fosse motivado por “talaricagem”, sugerindo que Vitória Regina poderia traído o autor do crime, com quem eventualmente teria um relacionamento. O delegado disse até o nome de um dos ex-namorados da vítima.

Na sexta-feira (7/3), uma nova hipótese foi divulgada pela polícia à imprensa, a de que o autor do crime seria o atual namorado de um ex-namorado da vítima. O novo suspeito seria, supostamente, integrante do PCC.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Show de perícias

Em duas oportunidades nessa sexta-feira (7/3), dezenas de jornalistas que estavam na Delegacia Seccional de Franco da Rocha testemunharam uma equipe da Polícia Científica e papiloscopistas da Polícia Civil realizarem perícias no veículo de um dos suspeitos.

A poucos metros de distância, os jornalistas assistiram aos policiais usando luz azul para encontrar eventuais manchas de fluidos corporais no veículo, coletando fios de cabelo e até colocando cães farejadores para tentar confirmar se Vitória Regina esteve no local.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A cena, é claro, foi transmitida ao vivo por emissoras de televisão, que divulgaram informações sobre o caso durante todo o dia. Cinegrafistas que estavam presentes no local chegaram a se desentender enquanto disputavam espaço na delegacia para fazer imagens dos peritos.

Fotógrafos conseguiram inclusive identificar que um dos fios de cabelo coletados era loiro e enrolado, característica diferente em relação ao cabelo de Vitória, que era preto e liso.

Pai informado ao vivo

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Enquanto a polícia divulgava hipóteses sobre o que teria acontecido com Vitória Regina, o pai da menina, Carlos Alberto de Sousa, foi informado ao vivo, durante o programa Encontro com Patrícia Poeta, de que o caso teria sido supostamente esclarecido.

Ao ouvir a história contada pela apresentadora, o homem ficou sem reação e pediu que ela repetisse.

“É um crime passional”, afirmou Patrícia. “Esse Daniel seria namorado do ex-namorado da sua filha. Daniel que tinha um relacionamento amoroso com um ex-namorado da Vitória. Esse Daniel, que o senhor disse que não conhece, teria contado com a ajuda de dois amigos para matar e transportar o corpo da Vitória. Essas são as informações que chegam para a gente”, disse.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Após a repercussão negativa do episódio, a apresentadora se manifestou no Instagram: “E quando nosso foco deveria ser falar sobre combate ao racismo, as pessoas se voltam para picuinhas e deixam um assunto tão importante de lado”.

A suposta conclusão da investigação descrita por Patrícia Poeta não foi confirmada oficialmente pela equipe de investigação ou pela Secretaria da Segurança Pública.

Fonte: Metrópoles

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Cotidiano

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline