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VOYEURISMO

Casal faz sexo em hotel e depois descobre que foi filmado ao achar vídeo na internet

Sem saber, o casal havia se tornado a mais nova atração de um mercado clandestino que lucra com a intimidade alheia

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Casal faz sexo em hotel e depois descobre que foi filmado ao achar vídeo na internet
Autor Este fenômeno, conhecido como "pornografia de câmera escondida", possui raízes profundas na China, persistindo há pelo menos uma década apesar de a produção e distribuição de material pornográfico serem ilegais no país - Foto: IA / Imagem Ilustrativa

A trajetória de Eric (nome fictício), ilustra uma reviravolta irônica e traumática no submundo digital. Antigo consumidor de pornografia amadora em canais de redes sociais, ele navegava por vídeos em 2023 quando se deparou com uma cena que o paralisou: as imagens mostravam ele mesmo e sua namorada, Emily (nome fictício), entrando em um quarto de hotel e tendo relações sexuais. O registro havia sido feito três semanas antes, durante uma estadia em Shenzhen, no sul da China. Sem saber, o casal havia se tornado a mais nova atração de um mercado clandestino que lucra com a intimidade alheia, transformando momentos de privacidade em conteúdo para milhares de desconhecidos. As informações são da BBC News Brasil.

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Este fenômeno, conhecido como "pornografia de câmera escondida", possui raízes profundas na China, persistindo há pelo menos uma década apesar de a produção e distribuição de material pornográfico serem ilegais no país. No contexto brasileiro, a legislação também é rígida, tipificando como crime qualquer forma de oferta, troca ou divulgação de registros audiovisuais de nudez ou sexo sem consentimento, punindo inclusive quem apenas compartilha o material recebido por aplicativos de mensagens.

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Mesmo com proibições severas, a onipresença dessas câmeras gerou uma cultura de medo na China, onde mulheres trocam dicas sobre como detectar aparelhos minúsculos e chegam a montar barracas dentro dos quartos para garantir que não serão filmadas.

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A indústria do voyeurismo ao vivo

A investigação conduzida pelo Serviço Mundial da BBC revelou uma estrutura sofisticada de comercialização desse material, operando principalmente através do Telegram. Durante 18 meses, foram identificados diversos sites e aplicativos que gerenciavam mais de 180 câmeras escondidas em hotéis, capazes de transmitir as atividades dos hóspedes em tempo real.

Ao monitorar um desses sites por sete meses, a reportagem encontrou conteúdo de dezenas de câmeras ativas simultaneamente. Estima-se que milhares de pessoas tenham sido filmadas sem jamais suspeitar da invasão, uma vez que o sistema é ativado automaticamente assim que o hóspede insere o cartão-chave para ligar a eletricidade do quarto.

O acesso a essa rede de voyeurismo é vendido por meio de assinaturas mensais ou pagamentos únicos. Um dos agentes mais ativos, identificado como "AKA", oferecia acesso a transmissões ao vivo por cerca de 450 yuans mensais, o equivalente a aproximadamente 330 reais.

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Dentro desses canais, os assinantes não apenas assistem, mas interagem de forma depreciativa, comentando sobre a aparência das vítimas, julgando seu desempenho sexual e utilizando termos ofensivos para descrever as mulheres filmadas. Existe uma preferência declarada pelo caráter "real" das imagens, em contraste com a pornografia tradicional, o que alimenta o desejo desses consumidores pelo flagrante do desconhecimento da vítima.

A estrutura criminosa e o rastro do lucro

A cadeia de suprimentos por trás dessas gravações envolve diferentes níveis de hierarquia. No topo estão os chamados "donos das câmeras", responsáveis pela instalação física dos dispositivos e pela gestão técnica das plataformas. Abaixo deles, agentes como AKA atuam na linha de frente das vendas e do atendimento aos clientes. Em um deslize durante a troca de mensagens, a investigação conseguiu identificar um suposto fornecedor chamado Brother Chun, que negou ser o mentor, mas confirmou a complexidade da rede.

O retorno financeiro é alto: apenas um dos agentes movimentou mais de 110 mil reais em um curto período, valor que supera em muito a renda média anual na China, evidenciando o incentivo econômico por trás do crime.

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A facilidade de aquisição do equipamento é outro agravante, com câmeras de alta tecnologia sendo vendidas abertamente em grandes mercados de eletrônicos como o de Huaqiangbei. Por outro lado, o combate a essa prática enfrenta barreiras tecnológicas e corporativas.

Organizações não governamentais relatam que plataformas como o Telegram frequentemente ignoram pedidos de remoção de conteúdo, deixando as vítimas à mercê dos administradores dos grupos criminosos. O governo chinês tentou intervir com novas regras que exigem vistorias regulares pelos donos de hotéis, mas a agilidade dos criminosos em substituir câmeras desativadas demonstra que o problema está longe de ser resolvido.

O impacto psicológico e a busca por justiça

Para as vítimas, a descoberta da gravação é apenas o início de um pesadelo prolongado. Emily, ao ver as imagens de sua própria intimidade editadas em um vídeo de uma hora, ficou devastada com o receio de que conhecidos pudessem reconhecê-la.

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O trauma afetou profundamente o relacionamento do casal, que passou semanas sem se comunicar e agora vive em estado de alerta constante, usando chapéus em público para esconder o rosto. Eric, embora tenha parado de consumir esse tipo de material, ainda monitora os canais clandestinos por medo de que o vídeo que protagonizou volte a circular, evidenciando que a violação da privacidade deixa cicatrizes que a tecnologia dificilmente apaga.

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