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Cantareira opera com nível crítico; entenda como funciona o monitoramento e o que pode ocorrer

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Em meio a um cenário de chuvas irregulares, ondas de calor mais frequentes e aumento do consumo de água, a situação dos reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo exige atenção e monitoramento constante. Nesta sexta-feira, 9, o sistema Cantareira operava em nível crítico, na faixa especial, com 19,8%. Em termos comparativos, no mesmo dia do ano passado, o volume estava em 50,9%.

Ele faz parte do Sistema Integrado Metropolitano, que é formado por sete sistemas de reservatórios. O sistema todo operava com volume de 27,4% da capacidade nesta sexta.

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O Cantareira e Alto Tietê são os principais sistemas que abastecem a Grande São Paulo, com maior capacidade de armazenamento. O volume de ambos está em queda desde abril do ano passado.

O monitoramento diário é realizado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e também pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), que atualizam os níveis dos reservatórios todas as manhãs.

Desde outubro do ano passado, o governo estadual passou a adotar um novo modelo de acompanhamento e gestão dos recursos hídricos, dividido em sete faixas de atuação com base no volume médio dos sete sistemas da Grande São Paulo.

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Atualmente, a região está na faixa 3, considerada de atenção, que prevê a redução da pressão nos sistemas por 10 horas diárias, entre 19h e 5h, e intensificação das campanhas de conscientização. Caso o volume médio dos reservatórios abaixem cerca de três pontos percentuais, a Grande São Paulo entrará na faixa 4, com 12 horas de redução da pressão no sistema.

Quando poderá ter rodízio? Veja as faixas de monitoramento

- faixa de normalidade: volume de 100% a 44%

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- faixa 1: de 44% a 38%

- faixa 2: de 38% a 32%

- faixa 3: de 32% a 26%

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- faixa 4: de 26% a 20%

- faixa 5: de 20% a 10%

- faixa 6: de 10% a 0%

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- faixa 7: 0%

Vale ressaltar que os valores porcentuais das faixas podem ser ligeiramente alterados, pois são consideradas questões como a sazonalidade e histórico recente de disponibilidade nos reservatórios. Nas faixas de 1 a 3, o foco é em prevenção, consumo racional de água e combate a perdas na distribuição. As faixas 1 e 2 estabelecem o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA) e a gestão de demanda noturna de 8 horas, respectivamente.

Já nas faixas 4, 5 e 6, os cenários são de contingência controlada, com períodos ampliados de redução da pressão na rede, por 12, 14 e 16 horas. Por fim, na faixa 7, o cenário mais grave inclui o rodízio de abastecimento entre regiões, com obrigação de fornecimento de caminhões-pipa para apoio a serviços essenciais.

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E o Cantareira?

A rede de abastecimento de água na Grande São Paulo é formada por sete sistemas que, juntos, têm capacidade para armazenar quase 2 trilhões de litros de água. São eles:

- Cantareira (único com volume morto)

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- Alto Tietê

- Guarapiranga

- Cotia

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- Rio Claro

- Rio Grande

- São Lourenço

Somente o Cantareira abastece cerca de metade da população da região metropolitana de São Paulo e contribui para o atendimento de Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. O Cantareira é composto cinco reservatórios interligados (Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro) com volume útil total de 981,56 bilhões de litros.

Desde 2018, o sistema conta também com a interligação entre a represa Jaguari (no rio Paraíba do Sul) e a represa Atibainha, ampliando a segurança hídrica para a região. Porém, tanto o Cantareira quanto o Alto Tietê estão operando nas últimas semanas próximos ao volume de 20% da capacidade, situação que exige atenção permanente.

O monitoramento do sistema Cantareira, que tem gestão compartilhada entre a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) por envolver rios que não pertencem só a São Paulo, segue critério diferente do sistema integrado. Em vez de sete faixas, são cinco:

- faixa 1 (normal): volume igual ou maior que 60%

- faixa 2 (atenção): volume igual ou maior que 40% e menor que 60%

- faixa 3 (alerta): volume igual ou maior que 30% e menor que 40%

- faixa 4 (restrição): volume igual ou maior que 20% e menor que 30%

- faixa 5 (especial): volume acumulado inferior a 20%

Nesta sexta-feira, o volume do sistema Cantareira está em 19,8%, de acordo com o monitoramento da ANA, ou seja, está na faixa 5, chamada de especial - com volume estado crítico.

Devido à situação crítica, a ANA explicou que, desde outubro do ano passado, a Sabesp tem reduzido gradualmente a retirada de água do sistema Cantareira. A cada faixa, há um limite para a retirada de água pela companhia. "Caso o Sistema Cantareira atinja um volume útil inferior a 20% em 30 de janeiro, a Sabesp precisará reduzir a vazão retirada máxima média mensal do manancial de até 23 metros cúbicos por segundo para até 15,5m³/s", afirmou a ANA.

Em nota, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou ao Estadão que tem acompanhado de forma contínua a situação dos reservatórios e dos recursos hídricos no Estado de São Paulo. "O atual cenário exige atenção e vem sendo conduzido com base em protocolos técnicos e preventivos estabelecidos no Plano Estadual de Segurança Hídrica", afirmou.

Segundo a agência, o Estado conta hoje com um sistema integrado e mais resiliente de reservatórios, capaz de enfrentar períodos prolongados de estiagem. Por isso, apesar do racionamento, ou seja, a redução da pressão nos sistemas, ainda não se fala em rodízio no abastecimento de água.

"A Arsesp reforça a importância do uso consciente da água. Pequenas atitudes, como fechar a torneira ao escovar os dentes ou lavar a louça, reduzir o tempo de banho, reaproveitar a água da máquina de lavar e corrigir vazamentos, contribuem para a recuperação dos mananciais e ajudam a assegurar água para todos", informou.

Chuvas de verão e o nível do Cantareira

Ainda que chova dentro da média histórica nos próximos meses, o Cantareira vai terminar o verão, em março de 2026, em estado de alerta. É o que aponta relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) do governo federal. Os reservatórios do Cantareira abastecem cerca de 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

No cenário de chuvas na média, o volume útil estimado nos reservatórios para o fim de março é de 39%. A faixa de alerta para o sistema fica entre 30% e 40% da capacidade do sistema. Depois de março, começa o período de estiagem, que normalmente vai até setembro.

A Sabesp diz acompanhar os relatórios técnicos da ANA, que reforçam a necessidade de planejamento estrutural e de longo prazo para a segurança hídrica da Grande São Paulo. A companhia lembra que historicamente a região tem baixa disponibilidade natural de água e é cada vez mais impactada pela crise climática. Diz ainda investir em obras de segurança e resiliência hídrica.

Já a Agência de Águas do Estado, SP Águas, afirma que "o cenário projetado para o biênio 2025/2026 assemelha-se a estiagens recentes que o sistema já aprendeu a gerir com eficiência, o que afasta comparações diretas com a crise hídrica da década passada".

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