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Abeso divulga nova diretriz sobre o uso dos medicamentos no tratamento da obesidade

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A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou nesta terça-feira, 31, uma nova diretriz sobre o uso de medicamentos contra a obesidade, entre eles liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

De acordo com o endocrinologista Fernando Gerchman, membro do Departamento Científico da Abeso e coordenador do documento, a última diretriz havia sido publicada em 2016 e não era focada especificamente no manejo da obesidade, embora incluísse recomendações de tratamento farmacológico.

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Além disso, nesse meio tempo, houve um aumento significativo na quantidade de dados científicos e estudos adequados sobre o tratamento da doença, o que motivou a atualização das recomendações.

Mudanças no estilo de vida

O material, elaborado por endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, reúne 32 recomendações e reforça que os medicamentos não devem ser usados de forma isolada.

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A orientação é que o tratamento esteja sempre associado a mudanças no estilo de vida baseadas em três pilares: aconselhamento nutricional, atividade física e treinamento de força.

Na alimentação, a prioridade são os alimentos in natura ou minimamente processados, com redução de ultraprocessados e bebidas açucaradas.

Para as atividades físicas, a recomendação é de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou 75 a 150 minutos de atividade intensa, combinados com exercícios resistidos e alongamentos.

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Já o treinamento de força visa minimizar a perda de massa muscular durante o emagrecimento e é especialmente importante para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia.

"Uma mudança importante é que, antigamente, recomendávamos a mudança no estilo de vida e só iniciávamos o tratamento farmacológico se a perda de peso não ocorresse. Agora, o manejo farmacológico já é indicado logo no início do tratamento", destaca Gerchman. "Mas obviamente que o tratamento é personalizado, vai variar de paciente para paciente", adiciona.

Essa é outra recomendação do material, o tratamento personalizado. A diretriz reforça que não existe um modelo único de intervenção: as orientações nutricionais e de exercícios devem ser adaptadas às preferências, condições clínicas e contexto socioeconômico de cada paciente.

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Quem pode usar os medicamentos?

Outro destaque é a recomendação sobre quem deve usar os medicamentos. O tratamento é indicado para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30 kg/m2, ou a partir de 27 kg/m2 quando há condições associadas, como hipertensão, diabetes, apneia do sono ou artrose, segundo Gerchman.

Mesmo pacientes com IMC considerado normal ou com sobrepeso leve podem ser tratados se houver acúmulo de gordura abdominal acompanhado de complicações. Isso porque o IMC é um indicador limitado: ele não mede onde a gordura está concentrada, e o excesso na região abdominal é, por si só, um fator de risco para doenças graves.

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A diretriz também recomenda que o tratamento comece cedo, já que a obesidade e suas complicações tendem a se agravar com o tempo.

Escolha dos medicamentos

A diretriz indica que, sempre que possível, devem ser priorizados os medicamentos de maior potência, como semaglutida (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), por terem impacto clínico mais significativo.

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Quando o uso dessas opções não for viável por custo, disponibilidade ou intolerância, a escolha deve recair sobre fármacos de menor potência, como liraglutida, sibutramina, naltrexona com bupropiona ou orlistate.

Se a resposta a um único medicamento for insuficiente, o médico pode combinar remédios com mecanismos de ação diferentes. O uso prolongado também é recomendado para manter o peso perdido, já que a interrupção frequentemente leva à recuperação dos quilos.

O tratamento farmacológico é contraindicado para mulheres grávidas, que estejam amamentando ou tentando engravidar.

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A diretriz completa, com as 32 recomendações, está disponível de forma gratuita no site da Abeso.

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