Sessão da Câmara de Arapongas tem confusão e plenário esvaziado
Cerca de 100 pessoas que acompanhavam votação referente à cassação do mandato do vereador Paulo Grassano (PP) foram expulsas da Casa de Leis
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A última sessão da Câmara Municipal de Vereadores de Arapongas (PR), realizada na segunda-feira (30), foi marcada por bate-boca entre vereadores e o público, o que resultou no esvaziamento do plenário. A confusão aconteceu durante a votação do relatório da Comissão Processante (CP) que pede a cassação do mandato do vereador Paulo Grassano (PP). A denúncia trata da suposta celebração de contratos entre o município e uma empresa ligada à família do vereador.
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A votação era acompanhada por aproximadamente 100 pessoas que estavam no auditório e algumas delas se manifestaram com vaias durante a fala da vereadora Simone Almeida (PSD), que votou pelo recebimento e prosseguimento do processo de cassação. O presidente da Câmara, vereador Márcio Antônio Nickenig (PSB), pediu que o público não se manifestasse e que os vereadores respeitassem a opinião da vereadora. Na sequência, ele suspendeu a sessão e solicitou que o plenário fosse esvaziado. A medida desagradou o público e gerou bate-boca.
"Pessoal, eu vou dar 10 minutos para o pessoal se retirar. Se não se retirar, eu vou suspender a sessão, vou cancelá-la e depois vamos marcar um dia extraordinário. Eu tentei. Eu pedi para vocês. Quando a Simone falou, virou toda essa bagunça”, disse Nickenig durante a sessão.
A fala gerou revolta e discussão entre o presidente e uma pessoa que estava na galeria. Após o público sair do local, a sessão foi retomada com resultado de 7 votos favoráveis e 7 contrários à admissão da denúncia. O presidente da Câmara deu o voto de desempate e decidiu pelo prosseguimento.
MEDIDA EXCESSIVA
Em entrevista concedida ao TNOnline, o vereador Paulo Grassano (PP) disse que o esvaziamento do plenário foi uma medida arbitrária e desnecessária por parte da presidência da Câmara. Segundo ele, o ambiente estava majoritariamente ordeiro, com exceção de pontuais manifestações exaltadas. Grassano classificou como excessiva a presença de nove viaturas no local para retirar o público. “Foi uma situação terrível, uma arbitrariedade grande, sem necessidade. A situação foi ridícula e passou do limite”, disse.
O parlamentar afirmou que tentou dialogar para que, ao menos, seus pais e sua esposa permanecessem no recinto, mas o pedido foi negado, levando-o a pedir pessoalmente que as cerca de 100 pessoas se retirassem para que a votação fosse concluída.
Grassano avalia o episódio como um ato de perseguição política e sustenta que o resultado da sessão já estava predeterminado pela presidência. O vereador relatou que, antes mesmo do início dos trabalhos, visualizou documentos na mesa diretora que já indicavam a reprovação do relatório da comissão. Ele criticou a postura da gestão da Casa, afirmando que houve um abuso de autoridade para gerar pressão no momento da análise.
Em relação ao mérito do processo, o vereador reitera sua convicção de inocência e afirma que a denúncia original é fraudulenta. "Está claro que é uma perseguição política e que estão passando por cima de tudo”, afirmou. Ele sustenta que a própria prefeitura confirmou a regularidade de sua situação e que o caso já é objeto de inquérito policial devido à suspeita de assinatura falsa no e-mail que deu origem à denúncia.
PRESIDENTE NEGA PERSEGUIÇÃO
O presidente da Câmara, Márcio Antônio Nickenig (PSB), disse que a decisão de esvaziar o local foi influenciada por um episódio anterior, durante a votação da comissão investigativa, realizada há cerca de três semanas. “Quando teve essa outra votação, houve um tumulto lá dentro, houve xingamento. Fui chamado de covarde, de omisso. Fui muito ofendido”, relatou.
Com o objetivo de evitar outro tumulto, Nickenig disse que decidiu orientar as pessoas presentes. “Antes de começar, eu pedi para termos uma sessão ordeira. Que as pessoas não podiam intervir, só os vereadores podiam comentar. Enquanto o pessoal que defendia o Paulo falava, estava tudo certo. Quando a vereadora Simone votou para dar o prosseguimento, começou a ser vaiada e ofendida”, relatou. "Eu não tive alternativa. Eu não gostaria de ter feito isso”, acrescentou o presidente.
Ele também negou as acusações de perseguição por parte da defesa de Grassano. “Quero deixar bem claro, porque há uma tendência de dizer que existe perseguição. Eu recebi seis denúncias, mas nós aceitamos a quinta denúncia. E quanto a comissão investigativa estava fazendo o processo recebemos a sexta denúncia. Temos que ver o fato, não estão olhando o fato, estão deixando de lado", relatou.