Casamento cigano chama atenção ao ser celebrado em Arapongas
O matrimônio do casal cigano identificado como Maia e Robinho foi celebrado pelo padre Rezende no Jardim Caravelle
Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline
A celebração de um casamento cigano que aconteceu no último domingo (15) em Arapongas (PR) chamou a atenção após a divulgação das imagens do evento pela Prefeitura de Arapongas. O matrimônio do casal cigano identificado como Maia e Robinho foi celebrado no Jardim Caravelle, em um terreno onde os ciganos estão acampados, em frente á UBS Guadalupe.
📰 LEIA MAIS: Helicóptero com Beto Preto, Darci Piana e Guto Silva faz pouso forçado no PR
O casamento foi celebrado pelo padre José Roberto Rezende, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, e o evento foi marcado pela tradição cigana e pelos trajes da cultura deste povo que tem o casamento como o ápice da vida social e espiritual.
Os ciganos católicos no Brasil
O casamento representa o ápice da vida social e espiritual para as comunidades ciganas católicas no Brasil, funcionando como o principal mecanismo de preservação de sua identidade milenar. Diferente das cerimônias convencionais, o matrimônio cigano é um pacto entre linhagens familiares que une a liturgia da Igreja Católica a rituais ancestrais de honra e prosperidade. No cenário brasileiro, onde as etnias Calon e Roma compõem a maioria, o evento é planejado com anos de antecedência e mobiliza centenas de convidados de diversos estados, reafirmando os laços de um povo que, embora muitas vezes sedentarizado, mantém o espírito de união coletiva.
📲 Clique aqui e receba as notícias pelo grupo do TNOnline no WhatsApp
A presença de ciganos católicos no Brasil é um reflexo do processo colonizatório ibérico, tendo o grupo Calon como um dos primeiros a se estabelecer no país. Historicamente, a Igreja Católica foi a instituição que ofereceu maior abertura para esses grupos, permitindo que eles mantivessem sua cultura nômade ou seminômade sob o manto da fé cristã. Atualmente, a maioria das famílias reside em casas fixas no interior da Bahia, Minas Gerais e São Paulo, mas mantêm o costume de viajar para grandes romarias católicas, onde os casamentos coletivos e batizados são realizados como forma de fortalecer a rede de contatos entre os clãs.
A celebração
A essência dessa celebração reside no sincretismo prático, onde a devoção aos santos cristãos, como Santa Sara Kali e Nossa Senhora Aparecida, se mistura ao respeito absoluto aos patriarcas. Para o cigano católico, o sacramento do matrimônio realizado na igreja é o que confere legitimidade perante a sociedade, mas são os ritos tradicionais posteriores que validam a união perante a "Kumpania" (comunidade).
A festa, que frequentemente se estende por três dias, é marcada pela exibição de riqueza, música vibrante e o cumprimento de protocolos que testam a honra das famílias envolvidas.
Simbologia
Durante a cerimônia religiosa, a noiva cigana se destaca pelo luxo ostensivo, vestindo trajes bordados com pedrarias e joias de ouro maciço, que simbolizam a proteção e o dote familiar. Após a saída da igreja, a tradição assume o protagonismo com o banquete, onde o pão e o vinho são partilhados entre os convidados como sinal de comunhão.
Em comunidades mais conservadoras, ainda se preservam ritos como o do lenço, que atesta a pureza da noiva, e a chuva de moedas ou ouro sobre o casal, um gesto simbólico para garantir que a nova unidade familiar jamais passe por privações financeiras.
Pastoral dos Nômades
Apesar da forte religiosidade, a comunidade cigana católica ainda enfrenta barreiras significativas no acesso a direitos básicos e no combate ao preconceito. A Igreja Católica atua diretamente através da Pastoral dos Nômades, vinculada à CNBB, que serve como ponte entre a tradição cigana e as exigências da vida moderna.
Essa estrutura é fundamental para garantir que os casamentos sejam devidamente registrados e que a cultura cigana seja respeitada dentro do ambiente paroquial, combatendo a marginalização e garantindo que o direito de celebrar a própria fé e os próprios costumes seja preservado para as futuras gerações.
Vídeo
tnonline
Últimas em Arapongas
Mais lidas no TNOnline
Últimas do TNOnline