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Implante cerebral é aposta para tratamento de Parkinson

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Implante cerebral é aposta para tratamento de Parkinson
Autor Procedimento cirúrgico tem melhorado a qualidade de vida dos pacientes em geral em Arapongas - Foto: Sérgio Rodrigo - Foto: Reprodução

Um procedimento cirúrgico tem melhorado a qualidade de vida aos pacientes de Parkinson na região de Arapongas (norte do Paraná). O Implante Neuroestimulador Cerebral, conhecido como DBS, que em inglês quer dizer Deep Brain Stimulation, é a esperança de José Egídio dos Santos, 61 anos, que passou pela cirurgia no sábado (26) no Hospital Norte Paranaense - Honpar (Hospital Regional João de Freitas). “Espero que melhore bastante os sintomas”, diz. Apesar de não ser uma novidade em termos de tratamento, a cirurgia só é realizada em três municípios do Paraná: Londrina, Curitiba e agora em Arapongas, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Assim como José Egídio, que é parkinsoniano há 11 anos, outros cinco pacientes passaram pelo procedimento neste fim de semana no Honpar. É a segunda vez que o hospital realiza este tipo de cirurgia. Neste ano, em junho, foram realizados os primeiros seis procedimentos, sendo todos pagos pelo SUS.

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A oferta do procedimento foi possível porque contou com ajuda de profissionais especialistas de outras cidades. Nas duas ocasiões, a equipe liderada pelo médico neurocirurgião Marcus Valério da Costa, de Londrina, contou também com o trabalho do médico e também neurocirurgião José Oswaldo Oliveira Júnior, que é referência no assunto do Brasil e trabalha com o implante de DBS deste o final da década de 1980, quando o procedimento começou a ser indicado aos pacientes.

A araponguense Mariza Regina Pereira Viana, 38 anos, é uma das pessoas que passou pelo procedimento em junho. Parkinsoniana há sete anos, ela avalia que o procedimento foi positivo. “Diminuíram bastante os tremores”, afirma.

O PROCEDIMENTO
O neurocirurgião Marcus Valério da Costa explica que o procedimento consiste basicamente em colocar um fio (eletrodo) no interior do cérebro através de um pequeno furo no osso. O fio é ligado a uma bateria (gerador) que vai enviar estímulos ao cérebro para que ele melhore seu funcionamento e reduzam os sintomas desagradáveis da doença. “Após o implante, a melhora do paciente é gradativa e a estimulação é ajustada de acordo com a avaliação, que é feita de forma periódica. O paciente também continua tomando medicação, porém em doses menores, o que reduz os efeitos colaterais”, explica Costa.

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A bateria tem uma durabilidade média de 3 a 5 anos, após esse período Oliveira Júnior explica, que o paciente precisa passar pelo procedimento novamente, mas não completo. “Vamos trocar somente a bateria, para que o eletrodo volte a emitir estímulos ao cérebro”, esclarece.

SEM CURA
Da Costa deixa claro que o Parkinson, que é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva, não tem cura. “A cirurgia não cura, mas melhora a qualidade de vida, permitindo ao parkinsoniano ficar mais ativo e independente”, avalia Costa.

De acordo com o médico londrinense, o procedimento dura, em média, quatro horas, e não é considerado de alto risco.

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“A cirurgia é considerada de alta complexidade e demanda de uma equipe especializada”, diz. A falta de especialistas é, inclusive, apontada como uma das razões do procedimento ser desconhecido do público.


							Implante cerebral é aposta para tratamento de Parkinson
AutorFoto: Reprodução

Indicação em fase inicial da doença
O neurocirurgião José Oswaldo Oliveira Júnior, doutor em neurocirurgia funcional, de São Paulo, observa que que o Implante Neuroestimulador Cerebral, chamado de DBS, desde 1993 não é mais considerado tratamento experimental, e sim convencional. “O DBS beneficia cerca de 15% de todos os doentes parkinsoniano. A cirurgia é indicada para pacientes com tratamento clínico inicial, mais ou menos, cinco a seis anos. Não se pensa em cirurgia antes disso”, afirma.

A partir de cinco anos de doença, segundo o especialista, é que se faz a indicação para cirurgia. “Durante os primeiros cinco anos, o melhor tratamento clínico, com medicação, fisioterapia, com fonoaudiologia e terapia ocupacional”, avalia.

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Oliveira Júnior comenta que, no Brasil, a maioria dos pacientes é tratada com neurologistas clínicos, responsáveis por coordenar o tratamento. “O neurocirurgião aparece um tratamento mais invasivo a partir dos cinco anos da doença, quando a medicação está causando efeitos adversos e não está conseguindo proporcionando mais uma resposta eficiente”, sublinha.

Oliveira Júnior também pontua que é importante que a região tenha um polo de desenvolvimento e tratamento de Parkinson, de dedicação exclusiva aos SUS. “Porque o resultado é positivo”, justifica.

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