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Volume de ações tem alta de 23% na Justiça do Trabalho de Apucarana

Aumento na percepção de gratuidade judiciária e alta rotatividade no comércio e indústria impulsionam processos

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Volume de ações tem alta de 23% na Justiça do Trabalho de Apucarana
Autor As ações envolvem doenças profissionais, danos morais, horas extras, adicional de insalubridade, periculosidade, diferença salarial e exercício de dupla função - Foto: Reprodução

A Justiça do Trabalho de Apucarana registrou alta de 23% no volume de novas ações. Segundo dados da 1ª e da 2ª Varas do Trabalho, o número de processos saltou de 1.714, em 2024, para 2.107 casos ao longo de 2025.

Conforme o levantamento, o movimento de alta se manteve acelerado no início deste ano, com o mês de janeiro contabilizando 161 novas ações distribuídas, o que representa um aumento de 32% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram ajuizados 122 processos. A Justiça do Trabalho em Apucarana também abrange Bom Sucesso, Califórnia, Cambira, Jandaia do Sul, Kaloré, Marilândia do Sul, Marumbi, Mauá da Serra, Novo Itacolomi e Rio Bom.

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Os pedidos mais recorrentes, conforme o advogado trabalhista João Aparecido Michelin, de Apucarana, envolvem doenças profissionais, danos morais, horas extras, adicional de insalubridade, periculosidade, diferença salarial e exercício de dupla função.

O setor industrial e o comércio são apontados como os segmentos com maior movimentação processual devido à alta rotatividade de mão de obra.

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Para o advogado, o aumento é expressivo, especialmente quando comparado ao cenário imediato após a implementação da Reforma Trabalhista de 2017. Segundo ele, a alta ocorre devido a uma mudança na percepção de risco para o trabalhador.

Michelin explica que, no início da reforma, a condenação ao pagamento de honorários em caso de derrota desestimulou pedidos excessivos, mas assinala que o cenário mudou.

“No começo da reforma trabalhista, a pessoa entrava com ação e pedia R$ 100 mil e ganhava R$ 10 mil. Ela era condenada a pagar honorários e descontava o que ela ganhou. Isso desestimulou pedidos”, analisa.

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Na opinião de Michelim, o atual “afrouxamento” dessa regra impulsiona a demanda judicial. “Hoje, a pessoa só paga honorário se ficar comprovado que ela tem uma boa situação financeira, caso contrário, será beneficiada pela Justiça gratuita”, pontua Michelin, ressaltando que cerca de 90% das causas se enquadram na assistência gratuita.

Ele ressalta ainda que o volume de ações trabalhistas só não é maior devido à informalidade, pois há trabalhadores que optam por não ter registro para não perder benefícios governamentais, buscando a Justiça apenas após o fim da prestação de serviços.

Quanto à postura das empresas, o advogado observa que a busca por acordos ocorre, geralmente, em casos que envolvem riscos maiores, como o reconhecimento de vínculo empregatício em situações de informalidade.

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O advogado também avalia que discussões recentes sobre a alteração das jornadas de trabalho podem impactar diretamente o Judiciário, como o fim da escala 6x1. “Na minha opinião, para o empregado, será bom, mas para as empresas será ruim; vai aumentar o custo, o passivo trabalhista também. A tendência é complicar, terá mais demanda”, afirma o especialista.


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