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Venezuelanos que vivem em Apucarana aprovam saída de Maduro

Embora queda do ex-ditador fosse aguardada, os entrevistados avaliam que a prisão não garante a reestruturação democrática do país

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Imigrantes venezuelanos que moram em Apucarana, no norte do Paraná, acompanham com atenção os desdobramentos da ofensiva norte-americana que resultou na captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no último fim de semana. A operação deixou cerca de 80 mortos, segundo o jornal The New York Times. Embora a saída do ex-ditador fosse aguardada, os entrevistados avaliam que a prisão não garante a reestruturação democrática do país e mantêm a decisão de permanecer no Brasil.

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- LEIA MAIS: Após Venezuela, Trump ameaça tomar Groenlândia e atacar Colômbia

O operador de máquinas Pedro Andres Garcia Maita, de 32 anos, deixou seu país natal há dois anos por causa da grave crise econômica. Embora aprove a saída de Maduro do poder, ele acredita que somente a prisão do ex-ditador não resolverá a situação, pois figuras centrais do regime permanecem no controle.

Ele cita a vice-presidente Delcy Rodríguez e o ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, que controla setores de inteligência e grupos armados (coletivos) desde o governo Chávez. "Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello são a verdadeira ‘cara da maldade’ da Venezuela", afirma Garcia. “Acho que deve haver uma nova eleição. A Venezuela teria um fim ruim com Maduro, mas Delcy como presidente não dá certo não”, comenta.

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Pedro também vive a tensão de ter familiares diretos na zona de conflito. Ele mantém contato com um tio que mora em Caracas, local onde se concentraram as ações militares. Garcia descreve as explosões ocorridas entre os dias 3 e 4 de janeiro como "estratégicas", visando pontos como a base aérea de La Carlota, o Forte Tiuna (principal centro de comando), o Quartel da Montanha e o porto de La Guaira. "Houve dano material perto do Forte Tiuna, que é rodeado por apartamentos e edifícios civis", relata Garcia.



							Venezuelanos que vivem em Apucarana aprovam saída de Maduro
AutorPedro e Sulay vieram para Apucarana em busca de novas oportunidades - Foto: Lis Kato

A forma como a deposição do ex-ditador ocorreu também gerou debate entre os imigrantes. "A maioria dos venezuelanos queria que Maduro renunciasse e saísse do poder. Não o queremos como presidente, mas não concordo com a maneira como tudo aconteceu", declara Sulay Romero, de 55 anos, que vive no Brasil há três anos com o marido, filhos e netos.

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Ela reforça que a limpeza institucional é a única via para a recuperação. "A única forma de a Venezuela alcançar uma mudança é que saiam todos esses apoiadores de Maduro", avalia.

País em Crise

A crise humanitária, econômica e política na Venezuela desencadeou um dos maiores fluxos migratórios do mundo. A escassez generalizada de alimentos, medicamentos e serviços básicos está entre as principais razões que levaram Sulay a deixar seu país natal.

"Meu esposo trabalhava em uma construtora e o salário que ele ganhava dava somente para comprar comida para dois dias", afirma. Segundo ela, uma cesta básica custa o equivalente a R$ 243 e dura apenas uma semana para uma família com filhos. Uma cesta mais completa chega a custar R$ 513. A título de comparação, o salário mínimo na Venezuela equivale atualmente a 130 bolívares, ou cerca de R$ 3. Atualmente, ela vive em Apucarana com o marido, seis filhos e oito netos.

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“Não saímos de lá porque quisemos, mas por uma questão de sobrevivência. Para tirar meus filhos e netos de lá, para dar oportunidade a eles. Eu gostaria de estar na minha casa, no meu país, sem precisar pagar aluguel, mas isso não é possível”, lamenta Sulay, que tem o desejo de reunir recursos e trazer para o Brasil sua irmã e sua mãe. A mãe sofre de catarata e corre o risco de perder a visão devido à falta de assistência médica.

“Eu voltaria para lá se a Venezuela fosse como antigamente, quando as pessoas se reuniam no Natal e podiam comprar comida para celebrar. No fim do ano, as pessoas usavam o 13º salário para conquistar coisas. Hoje isso não é possível”, acrescenta.

Pedro relata que veio para o Brasil em busca de saúde e educação, trazendo consigo 11 pessoas da família, incluindo esposa, filhos, cunhados, sogra e sobrinhos. Antes de se estabelecer em Apucarana, ele morou no Rio de Janeiro. “Lá é uma cidade muito concorrida e muito estressante. Já Apucarana é tranquila e segura para criar meus filhos”, comenta.

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Atualmente, ele trabalha como operador de máquinas em uma fábrica de pipocas e não tem previsão de retornar ao país de origem. "A vida na Venezuela está muito difícil; com o aumento do dólar, sustentar uma família grande é complicado. Todos os dias trabalhávamos só para comer. Muitas vezes o dinheiro não dava para comer o mês todo", conta o operador.

A presença venezuelana na região reflete um movimento migratório amplo. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em cinco anos, mais de 43 mil venezuelanos foram inseridos no mercado de trabalho com carteira assinada no Paraná. Somente em Apucarana, 70 imigrantes foram registrados formalmente, embora o número real de residentes seja superior aos dados oficiais de emprego.


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