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Sobrevivente de feminicídio emociona público com carta lida em sua formatura em Apucarana

Sayonara da Silva teve o carro esmagado no último dia 10 de fevereiro; suspeito segue foragido

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Sobrevivente de feminicídio emociona público com carta lida em sua formatura em Apucarana
Autor Carta escrita por Sayonara foi lida em sua cerimônia de formatura do curso de Administração - Foto: Reprodução/Redes Sociais

A estudante Sayonara da Silva, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) de Apucarana (PR), emocionou o público durante sua cerimônia de formatura do curso de Administração nesta sexta-feira (27) ao enviar uma carta aberta explicando sua ausência física no evento. Sobrevivente de uma tentativa de feminicídio ocorrida no dia 10 de fevereiro, em Apucarana, Sayonara afirmou que sua falta não foi uma escolha, mas uma imposição do medo e da insegurança, uma vez que o suspeito de ter praticado o crime, seu ex-companheiro Ademar Augusto Crepe, de 58 anos, permanece foragido mesmo com prisão preventiva decretada. Leia a carta na íntegra e veja o vídeo da cerimônia no fim da matéria.

LEIA MAIS: PC cumpre mandados de busca em 8 locais por suspeito de tentativa de feminicídio

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No texto lido durante a solenidade, a graduanda destacou que o diploma é um símbolo de resistência e uma prova de que o investigado não venceu, apesar dos traumas e da necessidade de se manter escondida para preservar a própria vida e a de seus filhos. Ela criticou o sistema, pontuando a inversão de papéis em que a vítima precisa se privar de momentos de conquista enquanto o suspeito circula sem restrições.

Na ocasião, também foi quebrado o protocolo da cerimônia e anunciado que Sayonara, que foi bolsista de projeto de extensão do Programa Universidade Sem Fronteiras durante a graduação, também foi aprovada no mestrado em Administração da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Crime

O crime que motivou o isolamento de Sayonara completou 15 dias na última semana. Na ocasião, o suspeito utilizou uma caminhonete F-350 para colidir intencionalmente contra o veículo da vítima, um Audi A1, onde também estava o filho dela, de nove anos. O impacto foi tão forte que o carro foi empurrado contra um poste, que caiu sobre a estrutura do automóvel. Segundo as investigações da Polícia Civil do Paraná (PCPR), após a batida, o investigado tentou efetuar três disparos de arma de fogo contra a ex-mulher e a criança, mas a arma falhou, permitindo que ambos fugissem a pé para buscar socorro.

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Após o episódio, mãe e filho foram atendidos em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com ferimentos leves. A polícia tem realizado diligências ininterruptas e divulgou fotos de Ademar Augusto Crepe para auxiliar na localização, solicitando que qualquer informação sobre o seu paradeiro seja reportada de forma anônima pelos telefones 197, 181 ou pelo contato direto da equipe de investigação em Apucarana, no número (43) 3423-0972.

Carta

"Gostaria profundamente que estas palavras fossem ditas por mim, olhando nos olhos de cada colega, professor e familiar. Contudo, hoje minha voz chega até vocês por meio deste texto, porque minha presença física me foi privada.

Formo-me nesta noite, mas não posso subir a este palco. Enquanto celebramos o encerramento de um ciclo acadêmico, eu atravesso o ápice de um ciclo de injustiça. Não estou presente porque aquele que atentou contra a minha vida e a de meu filho permanece em liberdade. Minha ausência não é uma escolha; é o retrato de um sistema que ainda impõe à vítima o recolhimento, enquanto o agressor circula sem restrições.

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Ainda assim, quero que saibam: ele não venceu.

Este diploma que carrega o meu nome é a prova de que, mesmo sob a sombra do medo e da violência, eu não interrompi o meu caminho. Estudei entre angústias e traumas. Escrevi trabalhos enquanto protegia meus filhos. Persisti quando o mundo parecia exigir apenas que eu sobrevivesse.

Aos meus colegas, peço que celebrem também por mim. Que este lugar hoje simbolicamente ocupado pela professora Carine seja um lembrete de que nossa formação deve servir à construção de um mundo no qual nenhuma mulher precise ausentar-se da própria vitória para garantir o direito de permanecer viva.

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Eu concluí a faculdade. Rompi o silêncio. E, ao lado de meus filhos, continuarei vencendo a cada dia.

Meu corpo não está aqui, mas minha conquista é imensa — e dela ninguém poderá me despojar.

Estudar não é rebeldia; é resistência.

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Viva a universidade pública.

Viva a UNESPAR."

Sayonara da Silva

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Veja o vídeo

Reprodução/Redes Sociais


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