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Rede municipal de educação atende cerca de 100 alunos estrangeiros em Apucarana

Município acolhe estudantes de 10 nacionalidades diferentes nas escolas e aposta em ações de acolhimento e integração

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Rede municipal de educação atende cerca de 100 alunos estrangeiros em Apucarana
Autor Eliézer e o irmão Heriverth já são alfabetizados em português - Foto: Cindy Santos/TNOnline

Entre o espanhol falado dentro de casa e o português que aprende na Escola Municipal Dr. Osvaldo dos Santos Lima, o pequeno Heyker Damián Contreras Romero, de 5 anos, natural da Venezuela, ilustra uma nova geração de apucaranenses. Ele está entre os quase 100 estrangeiros que estudam na Rede Municipal de Educação de Apucarana atualmente. Dados da secretaria mostram que a cidade se tornou o endereço de ao menos 10 nacionalidades diferentes (veja o infográfico), com quase 500 imigrantes atendidos pela Assistência Social.

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O levantamento aponta que 17 alunos, de 0 a 4 anos, estão matriculados nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), e outros 75 estudam nas escolas, que atendem desde o Infantil 4, crianças de 4 a 5 anos, até o 5º ano do ensino fundamental, na faixa de 10 a 11 anos.

Heyker estuda no Infantil 5 e, na mesma escola, também estão matriculados seus dois irmãos, Eliézer Alexander Contreras Romero, de 7 anos, e Heriverth Gabriel Contreras Romero, de 9, que estudam em fases diferentes. Os três moram com a avó Sulay Romero, de 55 anos, que veio para o Brasil em busca de melhores condições de vida ao lado do companheiro Delvis Joan Benites, com quem ela cria os netos.


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AutorDa esquerda para a direita, Delvis, Sulay, Heyker, Heriverth e Eliézer - Foto: Cindy Santos/TNOnline

A mãe das crianças mora atualmente na Guiana, onde trabalha e envia dinheiro para ajudar a família, que vive em uma casa alugada e se mantém com o salário de Benites, que trabalha em uma fábrica de reciclagem de plástico, e com auxílio como o Bolsa Família. Sulay está impossibilidade de trabalhar devido a um acidente.

Eles chegaram em Apucarana em 2 de fevereiro de 2023, após morar quatro meses em Boa Vista, Roraima, e dois meses em São Paulo. Sulay relembra que, quando chegou em Apucarana com a família, procurou um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e não teve problemas em matricular as crianças na escola. A família também conta com apoio da Cáritas Diocesana. “Apucarana é uma cidade tranquila. Gostamos daqui. E meus netos se adaptaram muito bem. Entendem português bem e escrevem também”, comenta.

Segundo ela, a adaptação foi muito boa, tanto que os netos têm amigos no bairro onde moram e ela conta ainda com a ajuda de uma vizinha, que auxilia as crianças com a tarefa da escola quando há necessidade. “Quando eu não entendo a tarefa, peço ajuda. Eles não gostam de faltar à aula. Acordam 5 horas da manhã, entram na escola às 8h e ficam até às 16h10. Todos os três. Amam estudar”, comenta ela, afirmando que o neto mais velho sonha em ser engenheiro civil. "Ele diz que quer construir", afirma orgulhosa.

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AutorHeriverth fala português fluente e quer ser engenheiro civil quando crescer - Foto: Cindy Santos/TNOnline

Quando retornam para casa, os irmãos gostam de brincar com os amigos que moram no mesmo bairro. O passatempo favorito é jogar bola em frente à casa onde moram. “Aqui no bairro não há parque infantil, então eles brincam na rua. Mas eu sempre fico cuidando, pois tenho medo”, comenta.

O olhar atento de Sulay da calçada funciona como o que a professora e psicopedagoga Thays Diniz classifica como escudo emocional. Em contextos de migração, a presença dessa figura de afeto atuando como uma base segura é estruturante, pois funciona como um mecanismo regulador que ajuda a criança a interpretar o novo mundo como menos ameaçador. “Ele não impede que a criança vivencie desafios, mas reduz o impacto negativo dessas experiências, fortalecendo a resiliência”, explica. É justamente essa segurança relacional que garante a capacidade de adaptação e a abertura dos pequenos para novas aprendizagens.

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AutorFoto: TNOnline

Município foca na atuação interdisciplinar

Para o superintendente pedagógico Pablo Costa, o desafio de integrar 10 nacionalidades em Apucarana exige uma atuação interdisciplinar antes mesmo da alfabetização. O trabalho começa com assistentes sociais que unem saúde, educação e proteção em visitas domiciliares. Segundo Costa, o foco inicial é evitar a evasão e criar vínculos.

“Nós trabalhamos com o processo de acolhimento, de pertencimento. A criança precisa primeiro se sentir pertencente com algumas atividades, incentivos, afeto, para daí, sim, o professor iniciar um processo pedagógico”, comenta.

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Além do suporte emocional, a rede aposta em projetos como o "Bonetizando" e o combate ao bullying. “Trabalhamos questões de formação, cidadania e preparação para o mercado de trabalho, focando em direitos, deveres e valores humanos”, conclui.



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AutorSulay e os netos Eliézer e Heriverth - Foto: Cindy Santos/TNOnline

Ambientes escolares acolhedores atuam como espaços de reconstrução

Segundo a professora e psicopedagoga Thays Diniz, as rupturas da migração ativam sistemas de defesa nas crianças. Se prolongado, esse estado de alerta constante pode evoluir para o estresse tóxico, prejudicando áreas cerebrais essenciais à aprendizagem, como a atenção e a memória.

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“É justamente aqui que entram dois fatores protetivos fundamentais que são a segurança emocional (em casa e na escola) e o sentimento de pertencimento. Quando a criança se sente segura, seu sistema nervoso reduz a ativação de alerta. Isso permite a transição do chamado ‘modo sobrevivência’ para o ‘modo aprendizagem’, no qual há abertura para explorar, interagir, brincar e aprender”, aponta.

Quando o ambiente escolar acolhe a cultura de origem e estabelece rotinas claras, ele amortece os impactos psicológicos e reduz a ansiedade, afirma a especialista. “O cérebro consegue sair de um funcionamento voltado à defesa e gradualmente retornar ao modo exploratório”, explica Thays.

Cras é principal porta de entrada dos imigrantes na cidade

O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é a principal porta de entrada, oferecendo desde a regularização de documentos até o acesso a benefícios. “No atendimento de famílias com crianças, há uma atenção ainda mais cuidadosa, com orientações voltadas ao acesso a direitos básicos, como saúde, educação e programas de transferência de renda (Programa Bolsa Família), além da inclusão em acompanhamentos familiares, quando necessário”, aponta o assistente social Júlio César Martins.

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Segundo ele, as famílias atendidas encontram-se em situação de vulnerabilidade social, especialmente nos primeiros momentos após a chegada ao município, enfrentando desafios relacionados à moradia, trabalho, idioma e acesso a serviços públicos. “A assistência social busca não apenas atender às demandas imediatas, mas promover a inclusão social, o fortalecimento de vínculos comunitários e o encaminhamento para a rede socioassistencial, entre outros”, destaca.



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