Recusa de carona motivou briga e assassinato de Cíntia, diz delegada
Restos mortais da costureira Cíntia Cristina Silveira da Costa, desaparecida desde maio do ano passado, foram encontrados nesta quinta-feira (05)
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Após quase nove meses de investigações, a Polícia Civil de Apucarana (PR) confirmou nesta quinta-feira (05) a localização dos restos mortais da costureira Cíntia Cristina Silveira da Costa, 31 anos, desaparecida desde maio do ano passado. O desfecho do caso ocorreu após a prisão do principal suspeito, também de 31 anos, em Campinas (SP), que confessou o crime e descreveu detalhadamente como ocultou o cadáver em uma área de mata densa no distrito de Vila Reis. O motivo, segundo ele, seria uma briga após ele se recusar a levar a vítima embora de sua casa.
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Em coletiva de imprensa realizada na sede da 17ª Subdivisão Policial, a delegada Luana Lopes, titular da Delegacia da Mulher e responsável pelo caso, descreveu a investigação como uma das mais complexas de sua carreira. Segundo a autoridade, o suspeito, que não possuía passagens criminais e mantinha um emprego estável na cidade há seis anos, rompeu o silêncio após ser confrontado com provas técnicas colhidas pela equipe de inteligência. Assista a entrevista no início da matéria.
O crime
Por meio da quebra de sigilo telefônico da vítima, a polícia descobriu que o investigado conheceu Cíntia em uma festa, na madrugada de 24 para 25 de maio, e trocou números de celular com ela. Ainda conforme a delegada, os dois saíram juntos do local, informação que é confirmada pelo suspeito e por testemunhas que, inicialmente, apontaram um carro branco, de quatro portas e pintura descascada, cujas características batem com as do veículo Parati utilizado por ele. “As informações que tínhamos é que a última vez que o celular funcionou teria sido na Vila Reis. O celular dele também. Tudo nos dava a informação de que eles estariam juntos na saída da festa e no último momento em que ela estava com vida”, disse a delegada.
Já na residência do suspeito, sob suposto efeito de álcool e drogas, teria ocorrido uma discussão motivada pela recusa do homem em levar a vítima embora. O homem, por sua vez, alega ter agido em legítima defesa após Cíntia supostamente pegar uma faca, mas confessou ter desferido três golpes contra ela. Após a morte, ele enrolou o corpo em um cobertor e o transportou até uma cova rasa em um loteamento isolado. Dias após o crime, o homem pediu demissão e fugiu para Campinas, sua cidade natal, onde permaneceu até ser localizado pela equipe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo. “No dia 28, logo após o ocorrido, ele aparece com a mão cortada e pede as contas. Descobrimos que ele havia voltado para a cidade natal dele, Campinas. Ele foi localizado e preso com apoio da Delegacia de Homicídios local”, informou.
No curso das investigações, a polícia realizou escavações na casa do suspeito, no distrito de Vila Reis, mas nada foi encontrado, sendo necessária a transferência do preso para indicar o local exato. "Sem a presença dele aqui, nós não teríamos conseguido localizar esse corpo. Inclusive, nós tentamos de forma remota, mas não foi possível", explicou.
O suspeito afirmou ter agido sozinho no ocultamento do cadáver. No local indicado, a perícia criminalística constatou que os restos mortais apresentavam vestes compatíveis com o relato do agressor. Devido ao estado da ossada, a polícia deve realizar exames de confronto genético para a confirmação laboratorial da identidade. O preso permanece à disposição da Justiça e existe a possibilidade de sua transferência definitiva para o sistema prisional de Campinas, por questões de segurança.
Inquérito enfrentou obstáculos, afirmou delegada
O inquérito enfrentou diversos obstáculos, incluindo ameaça e o assassinato de testemunhas e a exclusão de imagens de câmeras de segurança. "Nós tivemos imagens de monitoramento apagadas, cortadas, extraviadas, testemunhas, coagidas, ameaçadas e mortas. A morte do Dominique da Silva é uma situação muito triste e não teve nada a ver com essa situação”, destacou. “Não foi uma investigação fácil. Sabemos que muitas das vezes informações que chegaram até nós tiveram objetivo de desvirtuar nossas investigações, de forma proposital, tentando criar um possível vínculo com o tráfico de drogas. Nossa equipe sempre buscou seguir as provas dos autos, provas técnicas, que nos levaram a diligência que cumprimos no Vila Reis", relatou a delegada.
Ao final dos trabalhos de campo, a delegada destacou o empenho da equipe, composta majoritariamente por mulheres, e rebateu críticas recebidas ao longo do processo investigativo. "Hoje, a gente prova para toda a sociedade apucaranense e paranaense que nós mulheres somos capazes. Muito capazes. E, assim, damos uma resposta para a família da Cíntia", concluiu a delegada.
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