Projeto de fé: servidora faz doces solidários para ajudar o próximo
Com fé e doçura, voluntária já ajudou família a dar entrada em casa própria
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Desde 2022, em Apucarana, a servidora pública Andréa Janaina Schafranski Romanzini, de 50 anos, transformou uma habilidade antiga — fazer doces — em um projeto de solidariedade. O que começou como tradição familiar virou propósito: todo o lucro das vendas, descontados os custos, é destinado a ajudar pessoas em situação de necessidade.
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Mas a história que sustenta o “Seja Luz” começou antes, em 2018, em um dos momentos mais difíceis da vida de Andréa. “Eu cheguei no fundo do poço. Lembro que me ajoelhei e falei: ‘Senhor, não quero mais nada, só quero paz’”, relembra. Segundo ela, aquele instante marcou uma virada. “É como se Jesus tivesse me abraçado. Foi ali que tudo começou a mudar dentro de mim.”
Até então, fazer doces era apenas um gesto de carinho para a família. “Sempre gostei, fazia para os meus filhos, mas dizia que nunca venderia. Jamais imaginei isso pra minha vida”, conta. A mudança veio aos poucos, impulsionada por uma inquietação: o desejo de ajudar o próximo. “Eu achava que não tinha nenhum dom. Pedi a Deus algo que eu pudesse usar para fazer o bem.”
A resposta, segundo Andréa, veio de forma inesperada. “Um dia ouvi dentro de mim: ‘Faça doces’. Eu pensei: ‘tá maluco?’”, diz, entre risos. A ideia ganhou sentido quando ela pensou em ajudar uma família conhecida, que vivia de aluguel e enfrentava dificuldades. “Eu falei: vou fazer doces e, nem que demore anos, vou ajudar essa família a ter uma casa.”
O projeto começou de forma simples, quase silenciosa, com vendas entre amigos. Com o tempo, cresceu. Vieram encomendas maiores, novos desafios e o envolvimento da família. “Meu esposo ajuda, minha mãe também. É um trabalho de formiguinha, feito à noite, depois do expediente. Cansa, dá vontade de desistir às vezes, mas algo maior me move”, afirma.
O esforço deu resultado. Após anos juntando recursos, Andréa conseguiu ajudar na entrada da casa própria da família que inspirou o início do projeto. “Não é só o bem material. É o que isso representa. Hoje eles têm uma vida diferente, uma nova esperança”, diz. Para ela, mais importante que o resultado é a intenção. “Eu não faço pelas pessoas, eu faço para Jesus.”
Atualmente, o “Seja Luz” não tem um destino fixo. As ações surgem conforme as necessidades aparecem. Já houve mobilização para pagar contas emergenciais e até iniciativas dentro da própria família. “Agora estou usando o projeto para ajudar a pintar a casa da minha mãe. Se a gente não ajudar os de perto, vai ajudar quem?”, questiona.
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Entre panelas, receitas e orações, Andréa diz ter encontrado a resposta para o pedido feito anos atrás. “A paz existe, mas ela vem quando você entrega. A oração tem um poder incrível. É silenciosa, mas transforma tudo”, afirma. E resume o que move sua rotina: “Se pudessem ver o carinho que vai em cada doce, iriam comer sorrindo, com sabor de paz.”