Professores temem desigualdade com Novo Ensino Médio
Enquanto alunos estão otimistas, professores temem mudanças
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A partir de 2022, escolas públicas e particulares iniciam a implementação do chamado ‘Novo Ensino Médio’, baseadas na Lei n° 13.415/2017. As alterações acontecem na educação básica, chegando ao ensino profissionalizante, o que de acordo com o Ministério da Educação (MEC), deve elevar a qualidade de ensino no país, e preparar os estudantes para o mercado de trabalho. Em Apucarana, professores defendem que na prática, as mudanças devem distanciar ainda mais a preparação de alunos da rede privada e pública para as universidades.
A implementação vai ocorrer de forma gradativa, iniciando em 2022, com 1ª série do ensino médio, em 2023, a 2ª série e a 3ª série até 2024. Na prática, as principais mudanças serão na carga horária dos estudantes, que passará de 800 para 1.000 horas anuais obrigatórias e a inclusão de novas disciplinas, além da possibilidade de escolher por uma formação técnica profissional.
A base nacional comum curricular terá 1.800 horas para as 12 disciplinas do currículo: Língua Portuguesa, Matemática, Arte, História, Geografia, Biologia, Física, Química, Filosofia, Sociologia, Educação Física e o Inglês nos três anos do Ensino Médio. Também farão parte do currículo os Itinerários Formativos, com 1.200 horas. Serão quatro áreas distintas do conhecimento como matemáticas e suas tecnologias; linguagens e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e sociais aplicadas. Porém, cada escola irá ofertar apenas uma destas disciplinas. Segundo o Núcleo Regional de Educação (NRE), em Apucarana, será ofertada Educação Financeira e Pensamento Computacional.
O aluno que já quiser entrar no mercado de trabalho poderá escolher uma formação técnica e profissional (FTP), isso após concluir a etapa escolar. Na região de Apucarana, serão oferecidos os cursos de Técnico em Administração, Técnico Agrícola, Técnico em Desenvolvimento de Sistemas, Técnico em Formação de Docentes e Técnico em Agronegócios. Colégios de Apucarana, Arapongas, Jandaia do Sul, Faxinal, Cambira, Califórnia, Marilândia do Sul e Mauá da Serra estarão ofertando essa modalidade.
Anny Beatriz Alves Pereira, 14 anos vai ingressar no ensino médio em 2022 e está com uma boa expectativa para as mudanças. “Estudo no Colégio Estadual Padre Ângelo Casagrande, em Marilândia, e já soube que algumas coisas vão mudar ano que vem. Vamos estudar mais e o bom é que os alunos vão ter mais opção para se envolver na escola. Eu pretendo fazer o curso em Formação de Docentes, sei que vai ficar mais corrido para mim, mas achei a ideia legal”, considerou a estudante.
Professores temem mudança
Para o professor Tiago Nogueira, que leciona História e Sociologia na rede pública e também particular de Apucarana, a reforma no ensino médio é muito boa no papel, mas na prática, deve formar um gargalo ainda maior entre a preparação dos alunos da rede privada e pública para a universidade. “O que me chama atenção é que, no projeto, a mudança é para que o aluno tenha mais liberdade para se aprofundar nas matérias em que tenha mais afinidade, mas nem todas as matérias da grade serão oferecidas por todos os colégios. Então, ou o aluno se adapta ou vai para o curso técnico. No papel a mudança é boa, mas na prática, tenho dúvidas de como vai ser”, considerou.
Guilherme Bomba, professor de História da rede privada da cidade, acredita que em 2022 pouca coisa deve mudar na prática, mas que ao longo do tempo, a reforma deve acirrar ainda mais as desigualdades entre o ensino público e privado. “Para as escolas públicas tem muitas propostas, o que não sabemos é como isso será na prática, se temos estrutura para isso. Para as escolas particulares vão aumentar as atividades, o que torna os alunos ainda mais preparados. Enquanto não tivermos uma mudança de fato no sistema de ingresso às universidades, vai piorar a questão da desigualdade do acesso”, opinou o professor.
Professora da rede pública de ensino em Apucarana, Camilla Bolonhezi também acredita que mudança deve ampliar desigualdade. “Particularmente vejo que o maior problema é que essa base de itinerário formativo vai acabar ampliando a desigualdade, já que nem todas as escolas públicas vão ofertar as 4 opções, diferente das escolas privadas. Nesse sentido existe uma perspectiva grave de elitização do ensino”, defendeu a professora.
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