Prefeitura regulamenta corridas de rua e gera polêmica em Apucarana
Decreto cita apenas permissão para provas matutinas, mas prefeitura assinala que cada caso será avaliado individualmente; entenda
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A Prefeitura de Apucarana (PR) publicou o Decreto nº 127/2026, que regulamenta a realização de corridas de rua na cidade. O texto trata apenas da realização de provas matutinas, com início máximo até as 7h30, dependendo da distância a ser percorrida, e não cita eventuais eventos noturnos. A regulamentação gerou polêmica entre os grupos de corrida da cidade. A Prefeitura informou que cada solicitação será avaliada individualmente.
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O decreto regulamenta a Lei Municipal nº 149/2026, sancionada em janeiro deste ano pelo prefeito Rodolfo Mota (União Brasil), que cria a Política Municipal de Incentivo às Corridas de Rua no município. O projeto foi apresentado pelo vereador Danylo Acioli (MDB), com coautoria de Moisés Tavares (Avante), Eliana Rocha (SD) e Odarlone Orente (PT).
As normas regulamentadas envolvem eventos que ocupem, total ou parcialmente, as ruas, calçadas ou praças, como corridas de rua, caminhadas e competições de ciclismo.
Os organizadores precisam apresentar a solicitação para as corridas ou provas com antecedência mínima de 60 dias da data do evento. O pedido deve conter uma série de documentos e dados do evento.
Segundo o decreto, as provas esportivas em vias públicas serão limitadas a uma edição mensal, podendo ser autorizadas até duas, excepcionalmente, em finais de semana distintos.
Conforme o documento, os horários de largada variam conforme a distância das corridas: 5km (até 07h30); 5km a 10km (até 07h); 10km a 15km (até 06h30) e acima de 21km (até 05h).
O descumprimento das normas sujeita o organizador à interrupção imediata da prova, à suspensão de novas autorizações por até 12 meses e às multas previstas na legislação municipal.
O vereador Danylo Acioli criticou a falta de diálogo com os grupos de corrida. “Nós não fomos ouvidos, os grupos de corrida também não foram ouvidos. Pelo decreto, as corridas serão só no período da manhã. Então, em regra, só vai ter corrida depois de junho, o que é lastimável”, disse, assinalando que muitas corridas tradicionais já deixaram de ser realizadas na cidade por conta da demora na regulamentação. “Quem fez o regulamento das corridas de rua, provavelmente, não corre na rua e não pratica o esporte”, acrescentou o vereador.
O coordenador de um grupo de corrida em Apucarana, Matheus Miguel, também criticou o texto e disse que a medida inviabiliza a realização de corridas por organizadores locais.
Segundo ele, o decreto não foi bem recebido pelos grupos de corrida, que reúnem mais de 800 praticantes na cidade. “Eles (a Prefeitura) fecharam as portas para os organizadores de provas em Apucarana”, assinalou.
Segundo ele, o decreto de Apucarana foi feito com base na regulamentação de Londrina. No entanto, para Matheus Miguel, cada cidade tem uma realidade diferente. Na visão do esportista, a regulamentação aumenta os custos para a organização desses eventos de corrida, beneficiando grandes empresas mais estruturadas de fora.
Ele também criticou a limitação de horários, com provas previstas apenas para o período da manhã. “Eu sou realizador da prova Corre Apucarana, que fez a segunda edição no ano passado. Trouxemos 1.000 pessoas para a cidade – e isso porque limitamos as inscrições –, e tivemos uma grande fila de espera”, lembra. A Corre Apucarana foi realizada no período noturno, com largada na Rua Oswaldo Cruz, e movimentou aquele trecho gastronômico da cidade. O esportista afirma que não irá organizar a prova neste ano.
Quanto à limitação de horário, ele questiona como fica a tradicional Prova 28 de Janeiro, que ocorre à noite. “A lei é para todos. Então, acreditamos que a Prova 28 de Janeiro também vá acontecer, a partir do ano que vem, no período da manhã”, disse.
OUTRO LADO
O secretário de Esportes, Bruno Marchi, argumentou que, apesar do decreto não citar essa possibilidade, as provas noturnas não estão proibidas. Ele admite, no entanto, que há uma tendência do município em organizar eventos diurnos, por conta do impacto no trânsito. “Não vamos vetar as provas noturnas, mas a tendência é fazer pela manhã, como ocorre em outras cidades”, comentou, citando como exemplos Londrina e Maringá, onde as corridas noturnas ocorrem apenas em locais de trânsito mais restrito.
Segundo o secretário, assim como as provas diurnas, eventos noturnos terão que apresentar plano estratégico para passar por análise da Secretaria de Esportes e da Secretaria de Segurança e Trânsito (Segtran). O secretário destaca ainda que corridas noturnas na área central passarão por uma análise bastante criteriosa. “A corrida da Unimed ali no Jaboti, por exemplo, continuará sendo realizada. Ocorre que em Apucarana o relevo não ajuda e todo mundo quer fazer prova na área central, o que traz muitos transtornos”, comenta.