População de rua cresce em Apucarana e motiva levantamento e projetos de lei
Dados do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal, apontam que o município saltou de 305 pessoas em 2024 para as atuais 351
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O número de pessoas em situação de rua cresceu 15% no período de um ano em Apucarana. Levantamento realizado pelo TNOnline, com base nos dados do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal, aponta que o município saltou de 305 pessoas em 2024 para as atuais 351. O aumento é ainda mais expressivo se comparado a 2023, quando havia 203 registros, o que representa uma alta de 57% no período de dois anos. O cenário tem motivado tanto projetos no Legislativo quanto a elaboração de um diagnóstico detalhado para aprimorar as políticas públicas locais.
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A secretária de Assistência Social de Apucarana, Fabíola Carrero, explica que os dados do CadÚnico são amplos e abrangem pessoas que já estão em processos de acolhimento ou internamento. “A Casa de Misericórdia, por exemplo, tem mais de 100 acolhidos, significa que essas 351 pessoas não estão na rua, necessariamente. Mas são consideradas por estarem em acolhimentos para essa finalidade”, explica a secretária.
Segundo ela, o objetivo agora é refinar esses números para identificar quem realmente permanece nas ruas. Para isso, a secretaria inicia em março uma capacitação visando um censo detalhado, em parceria com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (SEJU), que ocorrerá simultaneamente em 27 municípios do Paraná.
O diagnóstico buscará entender as motivações, o histórico familiar e a origem dessas pessoas, permitindo uma atuação integrada entre as áreas de saúde, segurança e educação para a implantação de políticas públicas adequadas.
“O levantamento vai abordar dados sociais, econômicos e familiares. Sem um diagnóstico correto, é difícil estabelecer quais as reais necessidades de políticas públicas”, afirma Fabíola.
A secretária garante que a ação será realizada com foco no acolhimento social, contudo, destaca que o trabalho de abordagem enfrenta desafios como a recusa de auxílio. “A assistência tem aqueles que estão sem documentos ou sofreram violência, mas muitos se recusam a fornecer informações ou a serem integrados na rede de atendimento, o que impede a conclusão do trabalho”, informa.
Legislativo elabora projetos
A situação da população de rua em Apucarana é um desafio que se arrasta há anos, gerando cobranças constantes da comunidade e incentivando a criação de propostas no Legislativo. O presidente da Câmara, Danylo Acioli (MDB), vem tratando do tema desde o início do seu mandato, cobrando soluções efetivas do Poder Executivo para o setor e apresentou o Projeto de Lei nº 32/2026, que institui o Programa “Recomeçar”. A iniciativa foca na reinserção social através de frentes de trabalho e qualificação profissional, utilizando essa mão de obra para serviços de manutenção da cidade em troca de remuneração justa.
Segundo o presidente da Casa, a mobilização parlamentar foi o estopim para que a administração municipal ampliasse o olhar sobre o tema. “Foi a partir do nosso movimento e do nosso projeto que a prefeitura passou a tomar algumas medidas sobre a questão”, afirmou Acioli, que destaca que a pauta é uma prioridade do mandato. “A questão das pessoas em situação de rua é uma pauta em Apucarana e é uma pauta do nosso mandato. Além de falar sobre o problema, precisamos apresentar soluções concretas”, afirmou Danylo Acioli.
Além do “Recomeçar”, a pauta legislativa conta com o projeto “De Volta para Minha Casa”, proposto pelo vereador Guilherme Livoti. Baseado em um modelo de Belo Horizonte, o texto prevê que o município custeie o transporte e a documentação para pessoas que desejam retornar às suas cidades de origem, buscando reduzir a vulnerabilidade social e organizar os espaços públicos. Os dois projetos devem ir para votação nas próximas sessões.
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