Número de alunos autistas cresce 400% na rede municipal de Apucarana
Presença de estudantes com TEA nas escolas municipais passou de 88 para 430 em quatro anos, apontam dados da Autarquia Municipal de Educação
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O número de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidos pela rede municipal de Apucarana (PR) saltou de 88 para os atuais 430 estudantes em apenas quatro anos. Conforme informações da Autarquia Municipal de Educação (AME), são 400 crianças no Ensino Fundamental e 30 nos CMEIs que correspondem a um aumento de 400% em relação a 2022. Na região, são mais de 300 alunos matriculados na rede estadual, conforme dados do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, que atende 17 municípios (ler box). O número crescente de diagnósticos e os desafios para melhorar o suporte a esses estudantes ganham destaque durante o Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo.
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Segundo o superintendente pedagógico da AME, Pablo Costa, o principal desafio é a quantidade de Professores de Apoio Educacional Especializado (PAEE) para suprir a demanda e a adaptação curricular. Atualmente, o município conta com aproximadamente 200 profissionais para atender à demanda. “Entre as ações adotadas pelo município para melhorar o atendimento desses alunos estão a formação continuada de professores e a contratação de estagiários”, comentou.
Costa explica que, para descobrir se o estudante necessita de um mediador, é realizada uma avaliação por meio do departamento de Gerência de Apoio Psicopedagógico (GAP). “A GAP avalia se o aluno necessita de apoio, é feito um estudo de caso, aplicados testes, se o aluno precisa de apoio. Nem todo aluno com laudo necessita de apoio”, explica o superintendente.
AUMENTO
Na opinião da secretária da Associação de Mães e Amigos dos Autistas (AMAA), Aline Lopes, o aumento no número de alunos com TEA atendidos pela rede municipal é reflexo do crescimento dos diagnósticos e uma nova realidade. “Os pais estão mais atentos e, apesar da falta capacitação, as escolas estão um pouquinho mais atentas e os médicos também. Então hoje a gente consegue fazer uma avaliação e um diagnóstico”, comenta.
De acordo com ela, a alta registrada na rede municipal de educação também é sentida na entidade, que passou de 60, em 2021, para 370 famílias cadastradas, uma alta de 516%. De acordo com Aline, a AMAA recebe muitos pedidos de orientação sobre a necessidade de professor de apoio, sobre direitos, benefícios e carteirinha. “Existem muitas dúvidas em relação a esse tema. Se o filho realmente precisa, onde procurar”, comenta.
De acordo com ela, a alta registrada na rede municipal de educação reflete nos atendimentos na entidade, que passou de 60, em 2021, para 370 famílias cadastradas, uma alta de 516%. De acordo com Aline, a AMAA recebe muitos pedidos de orientação sobre a necessidade de professor de apoio, sobre direitos, benefícios e carteirinha. “Existem muitas dúvidas em relação a esse tema. Se o filho realmente precisa, onde procurar”, comenta.
LACUNAS
Aline é mãe de um adolescente de 14 anos no espectro autista. Como mãe atípica, ela sente a responsabilidade de dar voz a uma realidade que muitas famílias vivem diariamente, mas que, segundo ela, é pouco enfrentada com a seriedade necessária. “A educação no geral (município e estado) ainda apresenta lacunas quando falamos em inclusão de verdade. Não se trata apenas de garantir matrícula, mas de oferecer condições reais para que todas as crianças e adolescentes aprendam, se desenvolvam e sejam respeitados em suas individualidades”, aponta.
De acordo com Aline, falta investimento contínuo na formação de professores e gestores, para que estejam preparados para lidar com a diversidade dentro da sala de aula. “Falta também a presença de profissionais de apoio qualificados, em número suficiente, para atender alunos que necessitam de acompanhamento individual de acordo com sua necessidade”, conclui.
REDE ESTADUAL
Dados do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana mostram que, atualmente, 301 estudantes com TEA estão matriculados nas 63 instituições de ensino estaduais. Desses, 239 (25,9%) já contam com atendimento de Professor de Apoio Educacional Especializado (PAEE) e 62, com matrículas novas ou identificação do TEA recente, estão com estudo de caso em fase de finalização pelas instituições de ensino, com início do atendimento previsto para breve.
“Há diversos estudantes em processo de avaliação diagnóstica e, à medida que novos laudos médicos sejam apresentados às escolas, serão iniciados os respectivos estudos de caso, tendo como objetivo a identificação das necessidades educacionais desses estudantes e a oferta dos Atendimentos Educacionais Especializados de direito”, informou o chefe do NRE, Vladimir Barbosa.
Entre os alunos atendidos pela rede estadual está o filho de 14 anos da secretária da AMAA, Aline Lopes, que levanta a necessidade de conscientização da sociedade e acolhimento nas escolas. “Falta muito acolhimento do Estado. Eu nunca tive problemas, mas outras famílias atendidas tiveram grandes problemas, principalmente de bullying”, comenta. “Educação vem de casa. Então, o que esses adolescentes aprendem dos pais sobre respeito? Pois, o que a gente mais sofre mesmo é com a discriminação dos próprios alunos”, afirma