Medidas protetivas acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha crescem 135%
Dados da Polícia revelam salto de 293 para 690 registros no ano passado em Apucarana
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O número de medidas protetivas acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar (PM) registrou um aumento de 135% em Apucarana. Dados do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) apontam que, em 2024, foram 293 medidas encaminhadas à unidade, saltando para 690 no ano passado. O índice, segundo as autoridades, reflete a maior conscientização das vítimas e o fortalecimento da rede de proteção, e não necessariamente o aumento da violência.
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Apesar do crescimento expressivo, a PM ressalta que não possui informação sobre o número real de decisões judiciais, uma vez que os dados referem-se especificamente às medidas monitoradas pela corporação. Paralelamente, o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) registrou 2.250 atendimentos em 2025, mantendo uma média de seis acolhimentos por dia.
Segundo o cabo Clóvis Pereira de Oliveira, da Patrulha Maria da Penha, o trabalho dos agentes foca no pós-ocorrência. Enquanto as equipes de Rádio Patrulha (RPA) atendem a emergência, a Patrulha Maria da Penha realiza visitas técnicas para fiscalizar o cumprimento das decisões judiciais e oferecer suporte. “Esses números foram as medidas que nos foram encaminhadas. Muitas delas já foram revogadas. Mas o aumento demonstra uma busca maior das vítimas pelos seus direitos. Isso é resultado do trabalho exercido pela rede de atenção através dos atendimentos e palestras”, afirma o cabo.
Em 2025, a Patrulha realizou 712 visitas e 43 palestras educativas em Apucarana e em outros 11 municípios da região. No ano passado, foram registradas 41 prisões por descumprimento de medidas somente em Apucarana. Neste ano já foram seis. A atuação ocorre de forma integrada com a Guarda Civil Municipal (GCM), que também realiza o acompanhamento de vítimas na cidade, inclusive com o suporte de dispositivos de segurança (aplicativos de socorro).
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CAM
A diretora do Centro de Atendimento à Mulher (CAM), advogada Fernanda de Freitas Araújo, esclarece que o centro funciona como um acolhimento humanizado, oferecendo suporte jurídico, social e psicológico gratuito. Ela reforça que o aumento nas estatísticas está ligado à quebra do silêncio. “A impressão que dá é que a violência aumentou, mas na realidade, as mulheres estão tomando coragem de denunciar. Hoje há mais informação sobre o que é estar em um ciclo de violência”, pontua.
Fernanda destaca ainda que nem todo atendimento no CAM é estritamente criminal, podendo envolver orientações sobre divórcio ou conflitos familiares, embora a maioria das medidas protetivas ocorra no contexto de violência doméstica e psicológica.
O atendimento psicossocial e jurídico do CAM opera de forma integrada à rede de proteção para garantir suporte imediato às vítimas. O fluxo se inicia com o registro do boletim de ocorrência e a solicitação da medida protetiva, que é encaminhada para análise do Judiciário. Assim que deferida, a decisão é integrada ao sistema da rede especializada, permitindo que o CAM realize a busca ativa da mulher para ofertar acolhimento. Esse monitoramento é contínuo e sigiloso, garantindo que, além do suporte jurídico e psicológico, o agressor seja responsabilizado, podendo o Judiciário determinar a prisão em flagrante ou preventiva conforme a gravidade de cada caso.
“Caso a mulher queira atendimento pela situação de violência pode procurar o CAM. O contato é sigiloso e podemos dar suporte para elas por meio do (43) 99626-7831”, ressalta.
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