Do café à sala de aula: leitores da Tribuna celebram relação com o jornal impresso
De rituais matinais a pedagógicos, conheça as histórias de quem não abre mão de se manter bem informado
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Antes mesmo de o café ferver, por volta das 5 horas da manhã, Pedro Zumas já está à espera do jornal. Aos 78 anos, o professor de Língua Portuguesa mantém um ritual que atravessa vários anos: receber, folhear e ler, com atenção, cada página da Tribuna do Norte, que ele encontra embrulhada em seu quintal.
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Assinante desde 2010 e leitor há décadas da Tribuna, Pedro faz parte de um grupo fiel de leitores que ajudam a contar os 35 anos do jornal, comemorados em março de 2026. Para ele, o impresso é mais do que notícia: é documento. “Acredito que o jornal é uma ferramenta que comprova exatamente a história. É, sem dúvida nenhuma, o melhor livro que existe. Uma prova inequívoca de que a cidade tem uma história, o mundo tem uma história. Quando alguém vai fazer uma pesquisa sobre Apucarana onde o pessoal vai procurar? Nos arquivos da Tribuna”, explicou.
O gosto pela informação começou ainda na juventude, no seminário em Assis (SP), quando observava os padres circularem com exemplares de um periódico debaixo do braço. Ali, descobriu que o mundo cabia nas páginas impressas. Gostava especialmente do suplemento agrícola. Anos mais tarde, foi também pelo jornal, na seção de Classificados, que soube da venda de um projetor de filmes de 16 mm. Na época, ainda era professor em Sabáudia, no norte do estado, e havia conseguido filmes com a embaixada da França para que os alunos pudessem assistir. Para pagar o equipamento, promoveu a exibição de “Obrigado a Matar”, com Tonico e Tinoco. Nesta noite, a fiação elétrica quase não deu conta da potência da máquina. “Foi o filme mais longo da minha vida. Aquilo começava a esquentar e a rodar devagar. Então, a gente ia com o dedo ajudar a virar o rolo”, contou, entre risos.
Leitor atento da página 2, onde começa pelo artigo de opinião, Pedro também acompanha a Tribuna Livre e as colunas políticas. Além disso, guarda com carinho uma reportagem publicada no próprio Jornal Tribuna do Norte, em 27 de fevereiro de 1994, intitulada “A Arte de fazer Amigos Pelas Ondas do Rádio”, sobre seu hobby como radioamador. A matéria está emoldurada e pendurada na sala do colégio onde ainda leciona, próxima a vários modelos de rádios, mais uma prova concreta de que os jornais preservam memórias. “A Tribuna do Norte é uma bandeira da comunicação do estado do Paraná”, acrescentou, dizendo ainda que fica triste nos domingos e segundas-feiras, dias em que as edições do periódico não circulam.
Rotina todas as manhãs
Se Pedro espera para pegar o jornal no quintal, Maria Polonia Berton já o encontra à mesa do café. Aos 88 anos, a professora aposentada de Ciências mantém a assinatura desde 2009, embora a relação com a Tribuna do Norte venha de antes, pelas mãos do marido, José Berton, professor de Língua Portuguesa e Literatura, falecido em 2006, aos 74 anos. “Ele sempre assinou. Depois que faleceu, fiquei um tempo sem, mas vi que precisava e assinei novamente em meu nome”, contou. A leitura é parte do cotidiano. Entre um gole e outro de café, ela percorre as notícias, com atenção especial à política local, à editoria Social, às palavras cruzadas e à “Coluna do Taquinho”, como ela mesmo diz. “Gosto de saber das coisas. Quando as pessoas conversam, eu dou meus palpites também”, afirmou.
Maria se orgulha de fazer parte da história do jornal. “É tão difícil uma coisa durar tanto tempo. Eu me sinto bem de ainda estar lendo, de ser uma das assinantes mais antigas”, completou. Embora a Tribuna tenha o seu portal de notícias digital, o TNOnline, tanto Pedro quanto Maria preferem o jornal impresso. “A nossa geração é papel. Você vai e volta, algumas vezes recorta, outras você pode sublinhar”, concluiu Pedro.
“Ler é uma Festa”
A relação entre jornal e formação de leitores também aparece no trabalho da professora Miriam Carla Hilário, de 44 anos, filha de um dos assinantes assíduos da Tribuna do Norte. No projeto “Ler é uma Festa”, ela utiliza o jornal como instrumento de leitura e análise em sala de aula.
Criado na Escola Municipal Mateus Leme, em Apucarana, o projeto foi apresentado ao público em agosto de 2025, durante eventos como a Feira do Produtor. Voltado a crianças de 7 a 10 anos, o foco é promover o hábito de ler de maneira divertida e participativa. “Para isso, são realizadas atividades como a leitura de livros, jornais e outras produções textuais, além de ações que promovem a integração com a comunidade e mostram a leitura como uma prática que vai além da sala de aula”, explicou a professora.
Segundo Miriam, entre esses textos está a Tribuna do Norte, utilizada como uma importante ferramenta pedagógica. Por meio dos exemplares, os estudantes têm contato com notícias locais, reportagens, entrevistas e artigos de opinião. A partir do conteúdo publicado, eles então desenvolvem atividades de interpretação, produção escrita, debates e análise crítica da realidade. “Assim, os alunos têm a oportunidade de se aproximar da realidade da comunidade e do mundo, analisando fatos do cotidiano, compreendendo questões sociais, políticas e culturais e desenvolvendo uma visão mais crítica e consciente do mundo ao seu redor. Outro aspecto relevante é o estímulo ao diálogo e à cidadania. A leitura de temas atuais promove debates em sala de aula, desenvolvendo a argumentação, o respeito às opiniões diferentes e a participação social”, acrescentou.
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