Apucarana reduz dívida em R$ 800 milhões após acordo histórico com a União
Renegociação com Tesouro e Banco do Brasil tira município do topo do ranking nacional de endividamento
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O município de Apucarana deixou de ostentar o título de cidade mais endividada do Brasil após uma renegociação considerada histórica com o Tesouro Nacional e o Banco do Brasil. O acordo, anunciado na manhã desta quarta-feira (14) pelo prefeito Rodolfo Mota (União Brasil), reduziu o estoque da dívida pública municipal em cerca de R$ 800 milhões, fazendo o passivo cair de R$ 1,254 bilhão para aproximadamente R$ 454 milhões.
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Durante coletiva de imprensa, o prefeito afirmou que o resultado representa um divisor de águas para a administração pública local. “Apucarana não é mais a cidade que tem a maior dívida do Brasil. Esse era um título que o povo não aceitava e não compreendia”, declarou. Segundo Mota, o valor abatido é superior ao orçamento anual do município, estimado em R$ 670 milhões, e supera inclusive a dívida total de grandes clubes de futebol do país.
O anúncio contou com a presença da deputada federal Luísa Canziani (PSD), que classificou a renegociação como um marco de responsabilidade fiscal. “É uma notícia que alivia e tranquiliza o coração de todos que amam nossa cidade. A partir de agora, Apucarana entra em um novo momento, com mais equilíbrio e respeito às contas públicas”, afirmou a parlamentar.
Além de vereadores, secretários municipais, servidores e lideranças locais, a coletiva também foi marcada por um anúncio futuro. Luísa Canziani adiantou que um novo projeto estruturante, em parceria com o governador Ratinho Júnior e a Secretaria de Inovação, deve ser divulgado em breve. “É uma conquista tão grande quanto foi a vinda da UTFPR para Apucarana”, disse, sem detalhar a iniciativa, que deve estar ligada às áreas de inovação e tecnologia.
De acordo com o prefeito, a dívida acumulada ao longo de três décadas comprometia a capacidade de investimento do município, impedindo a obtenção de certidões negativas e o acesso a financiamentos para obras estruturantes. “Quem está com o nome no Serasa não consegue comprar uma casa. Era isso que acontecia com a prefeitura. Por isso, Apucarana praticamente não viu grandes obras nos últimos 20 anos”, comparou.
No último ano, a administração também quitou cerca de R$ 14 milhões em precatórios e aproximadamente R$ 7 milhões em débitos previdenciários com o INSS. Com o alívio fiscal, a prefeitura projeta um pacote de investimentos para 2026, que inclui a meta de alcançar 100% da cidade com iluminação em LED e pavimentação asfáltica, além da implantação de asfalto quente (CBUQ) e concreto em estradas rurais.
O governador do Paraná deve visitar Apucarana nos próximos dias, durante as comemorações do aniversário do município, para anunciar novos investimentos que dependiam da regularização das contas públicas.
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Apesar do avanço, o prefeito alertou que o cenário ainda exige cautela. O município opera atualmente amparado por uma liminar judicial que impede o bloqueio de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), mas a decisão perde validade no dia 19 de março. “O maior passo foi dado, mas uma dívida de R$ 454 milhões ainda é muito grande”, ressaltou Mota.
Segundo ele, novas negociações devem ser retomadas em Brasília com o Tribunal Regional Federal (TRF) e a Advocacia-Geral da União (AGU), com o objetivo de parcelar o saldo remanescente, possivelmente por meio da PEC 66, antes que a liminar expire e os bloqueios de verbas possam voltar a ocorrer.
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