O que a NRF 2026 deixou claro para o varejo
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Todos os anos, no mês de janeiro, acontece em Nova York, nos Estados Unidos, a feira NRF Retail’s Big Show. Considerada a maior do mundo para o varejo, ela se destaca não apenas por apresentar tendências, mas também por reunir inovações tecnológicas que impactam diretamente o setor.
O Sebrae Paraná, anualmente, elabora um guia de tendências a partir da feira e o disponibiliza de forma ampla e gratuita. Ao realizar a leitura do material, fica evidente que aquilo que antes aparecia como tendência já é realidade no cotidiano das empresas ainda que de forma desigual. E é justamente aqui que devemos estar atentos.
As transformações no mundo dos negócios, especialmente no varejo, já estão em curso. O consumidor mudou. Seus hábitos de consumo não são mais os mesmos: ele tem mais informação, mais autonomia e muito mais opções de compra. O consumidor de hoje não é mais o mesmo de cinco anos atrás. Apresento, de forma breve, movimentos destacados na feira, que todo empresário do varejo deveria observar, estudar e considerar na adaptação do seu negócio.
O primeiro deles é a chamada transformação agêntica. A inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a executar tarefas completas, desde a prospecção e segmentação de clientes até o pós-venda.
O impacto não está na tecnologia em si, mas na mudança de lógica: decisões operacionais passam a ser automatizadas, exigindo do empreendedor mais estratégia e menos execução. Na sequência, a jornada de compra deixa de ser linear e se fragmenta.
O consumidor já não percorre etapas previsíveis. Ele descobre um produto em uma conversa, valida em uma rede social e finaliza a compra em outro canal, muitas vezes em poucos minutos. Mais do que estar presente, é necessário ser relevante, gerar experiências consistentes e adaptar a linguagem a cada canal.
Apesar de toda a eficiência que a inteligência artificial e a automação podem gerar, é importante um alerta: tecnologia não corrige processos desorganizados. Ao contrário, amplia suas falhas. Negócios que não estruturarem sua base antes de automatizar tendem a escalar ineficiências.
Ao mesmo tempo, cresce a exigência por segurança e confiança. Em um ambiente cada vez mais digital, o consumidor não avalia apenas preço ou produto ele avalia credibilidade. Transparência no uso de dados, clareza na comunicação e coerência na entrega passam a influenciar diretamente a decisão de compra. Outro ponto relevante é o fator humano.
Quanto mais a tecnologia avança, mais ele se valoriza. A NRF reforça que empatia, escuta e capacidade de resolver problemas continuam sendo insubstituíveis. A tecnologia ganha espaço nos processos operacionais para que o humano se destaque na experiência. Essa lógica se conecta ao avanço do capital relacional. Marcas deixam de disputar atenção em massa e passam a construir comunidades.
Pequenos grupos, mais engajados e próximos, tendem a gerar mais valor do que grandes audiências dispersas. No ambiente físico, surge uma resposta ao excesso digital: o despertar sensorial. Lojas deixam de ser apenas pontos de venda e passam a oferecer experiências. O cliente não busca apenas comprar, busca sentir, experimentar e lembrar.
Por fim, a logística reversa reposiciona o pós-venda. Devoluções, reparos e reaproveitamento deixam de ser custo e passam a gerar receita. Sustentabilidade, aqui, deixa de ser discurso e se consolida como modelo de negócio.
O que conecta esses movimentos não é a tecnologia. É o comportamento. E é justamente por isso que a inovação não pode ser tratada como um projeto pontual, ela precisa fazer parte da rotina.