Engajamento que gera valor

Da Redação ·
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fonte: Ilustrativa/freepik
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O setor de confecções, durante muitos anos, foi classificado como intensivo em mão de obra. Mas essa classificação vem mudando há algum tempo. Muitas empresas compreenderam que não basta produzir muito: é preciso produzir melhor. Investiram em tecnologia, modernizaram processos, qualificaram equipes, apostaram em design e gestão profissional. Essas empresas perceberam que o consumidor contemporâneo não busca apenas preço baixo, mas qualidade, identidade e valor agregado.

Em um passado não tão distante, parte do setor insistia em competir apenas pelo custo, contratando mão de obra com salários muito baixos e operando com margens apertadas. Essa lógica pode até gerar algum resultado no curto prazo, mas dificilmente sustenta crescimento. Baixa remuneração tende a gerar baixo engajamento. Sem qualificação contínua e sem perspectiva de evolução, a produtividade não avança. E sem produtividade, não há escala sustentável. Felizmente, uma parcela relevante do setor entendeu que o engajamento não é um detalhe, é um ativo estratégico. Combinar remuneração adequada, ambiente organizacional saudável e qualificação permanente gera um círculo virtuoso: trabalhadores mais comprometidos produzem com mais qualidade.

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Os dados recentes mostram a força do setor. Em 2025, segundo o CAGED, os maiores volumes de contratações no segmento de confecções ocorreram em São Paulo, Fortaleza, Blumenau, Rio de Janeiro, Goiânia, Nova Friburgo e Jaraguá do Sul. No Paraná, Apucarana liderou as contratações, com destaque nacional ao ocupar a 10ª colocação no total de admissões do setor no país.

Contudo, há um contraste que merece reflexão. Se, por um lado, Apucarana se destaca em número de contratações, por outro aparece apenas na 162ª posição no ranking de salário médio de admissão. Além disso, ocupa a 47ª colocação no desvio-padrão salarial. Em Santa Catarina, estado reconhecido por indicadores elevados de qualidade de vida, 47 municípios contrataram no setor com salários médios superiores aos de Apucarana.

Esse dado dialoga com uma reflexão central sobre engajamento e prosperidade: o que importa não é apenas produzir mais ou gerar mais empregos, mas desenvolver. E a chave para esse caso é a produtividade. Empresários querem lucrar mais e trabalhadores querem ganhar mais. Ambas as posições são legítimas, mas tornam-se limitadas quando isoladas. O consumo, combustível do PIB, depende de renda disponível, que exige salários mais robustos. E estes, por sua vez, só se sustentam com empresas competitivas e produtivas.

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Não se trata de cobrar empregadores ou de alimentar conflitos, mas de reconhecer uma interdependência objetiva: empresas precisam faturar e lucrar mais, enquanto trabalhadores precisam ganhar mais. E uma condição sustenta a outra. Lucros duradouros não decorrem da compressão contínua de salários, mas do aumento de valor agregado. E salários maiores só se mantêm com empresas eficientes e inovadoras. O caminho, portanto, é a produtividade, o que exige tecnologia, boa gestão, qualificação e engajamento, pois trabalhadores não são apenas custo, mas parte essencial da geração de valor e da elevação do desempenho coletivo.

Fica, portanto, uma provocação construtiva ao setor produtivo: que tal ampliar o debate para além da carga tributária e incluir, de forma estratégica, o tema da produtividade e do engajamento? Ao compreender que trabalhadores fazem parte da solução, e não do problema, cria-se um ambiente onde salários e lucros podem crescer juntos. E quando isso acontece, todos ganham: empresas, trabalhadores e a economia local.

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