Relógio da Catedral, um presente da colônia japonesa
Aparelho foi inaugurado em 27 de maio de 1962
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Quem mora em Apucarana tem um hábito que não se perde mesmo com os modernos smartwatches, smartphones ou relógios de pulso tradicionais. É o costume de conferir as horas no relógio da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora de Lourdes.
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Basta ficar alguns minutos na Praça Rui Barbosa para perceber os olhares para a torre da igreja. Muitas vezes, o pedestre vê as horas no relógio da Catedral e depois confere no próprio pulso.
O relógio da Catedral de Apucarana foi inaugurado há mais de 60 anos. Em 27 de maio de 1962, o equipamento que marca as horas sob a simbologia romana foi entregue oficialmente, segundo relato publicado no livro "Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - 70 anos", de 2013, do historiador Francisco Soares Dias Sobrinho, o seu Chiquinho.
Presente da colônia japonesa de Apucarana à Igreja Católica, o relógio tem algumas curiosidades. O marcador das 4 horas chama atenção. É representado por IIII ao invés do tradicional algarismo IV romano. O equívoco virou uma marca registrada do aparelho. O relógio mede três metros de diâmetro e tem quatro mostradores. Foi fabricado no Brasil por uma firma de origem italiana especializada no ramo.
São três sinos. O grande, segundo o livro de Francisco Soares Dias Sobrinho, é uma homenagem ao Papa João XXIII e ao Concílio Vaticano II, sob a invocação de Nossa Senhora de Lourdes. O médio é uma homenagem à Paróquia, ao Poder Legislativo e ao Poder Executivo, sob a proteção de São José, e o pequeno uma homenagem aos diretores e professores das escolas, e também aos estudantes, sob proteção de Santa Maria Goretti.
CONSTRUÇÃO DA CATEDRAL DE APUCARANA
A Catedral Nossa Senhora de Lourdes é cartão-postal de Apucarana. Com estilo barroco, projetada pelo arquiteto Eugênio de Proença Sigaud, a construção é uma das únicas do País a ter a imagem de uma santa – no caso, Nossa Senhora de Lourdes– no topo de sua torre principal. Na fachada frontal, há também esculturas de São Pedro e São Paulo.
Outro destaque é a sua cripta subterrânea, um dos pontos mais antigos da construção. O local foi pensado para funcionar como um mausoléu. A base e as paredes são formadas por pedras. A ideia inicial era sepultar na cripta padres e autoridades municipais, respeitando um costume antigo. No entanto, o espaço acabou reservado apenas para a morada eterna de bispos da Diocese. Dom Domingos Gabriel Wisniewski, bispo de Apucarana entre 1983 e 2005, foi sepultado no local em 2010.
A construção da Catedral Nossa Senhora de Lourdes foi coordenada pelo padre Armando Círio, da Congregação dos Oblatos de São José, então pároco da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes. É a terceira igreja localizada na Praça Rui Barbosa, originalmente denominada de Praça Palmas. A primeira capelinha construída pelos pioneiros foi derrubada pelo vento em 1941. Uma nova foi erguida no mesmo local em 1942. Em poucos anos, no entanto, essa construção de madeira tornou-se pequena para a cidade em franco desenvolvimento.
A pedra fundamental da futura Catedral Nossa Senhora de Lourdes foi lançada em 22 de fevereiro de 1949. A obra, no entanto, demorou para sair do papel e foi começar apenas oficialmente em 12 de outubro de 1950.
A construção demorou quase 20 anos para ser concluída, incluindo a instalação dos sinos e relógio, além da pintura interna. A igreja construída na Praça Rui Barbosa tornou-se catedral em 28 de março de 1965, quando foi instalada a Diocese de Apucarana, que teve Dom Romeu Alberti (1965-1982) como seu primeiro bispo.
Em 2023, a Catedral passou pela última grande reforma, que contou com obras de revitalização interna e externa, com destaque para a substituição do piso.
Em 30 de outubro de 2024, o papa Francisco concedeu o título de Basílica Menor à Catedral Diocesana de Apucarana.
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