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Paixão pelas corridas de rua vira "febre" e conquista apucaranenses

Impulsionada pela tradicional Prova 28 de Janeiro, a corrida de rua deixa de ser apenas um esporte para virar estilo de vida e impulsionar a economia

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Paixão pelas corridas de rua vira
Autor Número de provas oficiais cresceu em Apucarana - Foto: Jair Ferreira

Se tem um esporte que combina com Apucarana, esse esporte é a corrida de rua. É verdade que o município já foi forte também em outras modalidades, mas são as atividades de pedestrianismo que melhor representam a cidade. Não à toa, a prova 28 de Janeiro, que chega à sua 63ª edição este ano com número recorde de participantes, é o maior evento esportivo da cidade e um dos maiores da região.

Considerada um dos — ou até o mais — democrático dos esportes, a corrida de rua não exige grandes investimentos para praticá-la e tampouco a companhia de outras pessoas. É preciso apenas de um par de tênis e, é claro, a força de vontade de ir para a rua.

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-LEIA MAIS: Cultura do hip hop torna cidade uma "galeria a céu aberto"

A popularidade e democratização do esporte fizeram, portanto, as ruas apucaranenses dividirem mais o espaço com os corredores, que visivelmente cresceram na cidade, em número de atletas e assessorias esportivas. A ascensão do esporte pode ser presenciada também através da quantidade de corridas, que hoje vão além das tradicionais 28 Janeiro e Circuito Sesc, este já na 19ª etapa. Só em 2025, seis provas oficiais foram disputadas em Apucarana e reuniram diversos atletas da cidade e região – a última, realizada em novembro, contou com de mais de mil atletas inscritos.

Entre os novos atletas que resolveram embarcar nesse desafio esportivo estão o casal Isabella Bovo, 26 anos, e Luis Fernando de Almeida, 30 anos. Foi assistindo a Prova 28 de Janeiro que a jovem apucaranense se sentiu inspirada e resolveu começar a praticar a atividade, mesmo com as dificuldades que ela afirma que vinha enfrentando.

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AutorProva Pedestre 28 de Janeiro: a ‘mãe’ de todas as corridas de Apucarana - Foto: Arquivo/Prefeitura


“Fui assistir à corrida da 28 em 2025 para prestigiar meu sogro, que também é corredor e sempre ganha pódio. Até então, eu sempre achei tão desnecessário ver pessoas correndo, mas foi naquela corrida que um novo sentimento tomou conta do meu coração: o sentimento de querer fazer algo por mim. Ali eu decidi que, no ano seguinte, eu estaria lá correndo”, contou.

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Com apoio do namorado, que também resolveu iniciar no esporte, Isabella passou a se dedicar nos treinos e afirma que a corrida de rua transformou sua vida desde então. “A corrida de rua entrou na minha vida como uma cura. Eu estava com um princípio de depressão e o sedentarismo me dominava, mas o esporte me deu o ânimo que eu não tinha para mais nada”, relatou a apucaranense, que terminou o ano já completando provas de 5 km e que deve estrear no circuito da 28 de Janeiro no próximo dia 31, quando cerca de seis mil atletas são esperados pelas ruas da cidade.

A tendência é correr, afirma atleta raiz

Se têm atletas começando a correr, tem muitos outros que levam a modalidade há anos como uma parte essencial da rotina. Essa febre que vem surgindo nos últimos anos impacta também os corredores mais antigos, como é o caso do atleta Valnei Batista Tavares, 57 anos, que pratica o esporte há aproximadamente 25 anos. Ele acredita que essa ascensão da corrida de rua não deve parar tão cedo.

“Significativamente, a tendência é crescer. As academias abraçaram as causas e hoje têm vários grupos em atividade além do Pé Vermelho. A corrida de rua se transformou um comércio muito forte desde o fim da pandemia”, disse o corredor, alertando também sobre o aumento dos preços das competições. “As provas estão ficando muito caras, acho que tem umas mais acessíveis, mas hoje o pessoal tem que começar a escolher as provas de tantas que têm”, comentou.

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AutorFoto: Corredor há 25 anos, Valnei Batista Tavares afirma que moda veio para ficar


Cabelereiro conhecido na cidade, Valnei já participou de cinco maratonas e um Ironman - prova de triatlo. Entre as maratonas disputadas, estão as de Florianópolis, Curitiba e Londrina. Ele também correu a mais tradicional prova de pedestrianismo do país, a São Silvestre, que percorre 15 km dentro de São Paulo.

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Mas nem só de provas é feita a corrida de rua. Atualmente, o apucaranense costuma correr apenas com a esposa e afirma que já fez muitos amigos praticando o pedestrianismo.

“Hoje corro mais sozinho ou com minha mulher porque minhas horas de treinar mudaram, mas em grupos também é bom pois você tem mais metas. Se está com amigos, um incentiva ao outro, fica melhor, combinam para ter que ir correr também. É um ambiente bom e saudável o da corrida”, argumenta Valnei, que também destacou a importância do Pé Vermelho – maior grupo de corredores de Apucarana e que, segundo ele, recebe de braços abertos quem tem interesse em participar.

Esporte que requer cuidados

A "febre" das corridas, no entanto, exige cuidados. O secretário de Esportes de Apucarana, Bruno Marchi, observa que o entusiasmo do pós-pandemia trouxe muita gente para as ruas, mas alerta para a necessidade de orientação profissional. “Muita gente quer correr, mas às vezes não sabe se tem condições físicas para isso. Vai aumentar o número de lesões porque as pessoas estão despreparadas. É importante procurar atividade física com pessoas gabaritadas e responsáveis”, disse Marchi.

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Além da saúde física, a segurança no asfalto é outro ponto de atenção em uma cidade onde o fluxo de veículos e pedestres nem sempre caminha em harmonia. Para o secretário, o corredor precisa adotar uma postura defensiva para evitar acidentes.

“A gente tem que tentar dar orientação sobre o trânsito. Muitos correm a favor do fluxo, mas o ideal é correr contra, para ver o veículo que vem na direção contrária. É preciso evitar fones de ouvido e fugir das ruas principais em horários de pico, tanto pela segurança quanto pela poluição. Às vezes, o motorista está estressado e passa 'tirando fina' do atleta; o melhor é evitar o conflito”, orienta o secretário.

Mercado em expansão

Matheus Miguel, professor de educação física e organizador da "Corre Apucarana" — prova que reuniu mil inscritos em sua última edição —, explica que o aumento da demanda profissionalizou o setor, mas também elevou os custos.

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“Tudo subiu porque a corrida está em evidência. As permissões da federação e os fornecedores ficaram mais caros. É um desafio montar um kit de qualidade e um pós-prova com música ao vivo e estrutura mantendo um valor de inscrição acessível. Sem patrocinadores, é basicamente impossível realizar um evento dessa magnitude hoje”, revela Matheus.



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AutorFoto: Rafael Savicki


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O surgimento de provas particulares como a Corre Apucarana, e edições corporativas de empresas e institucionais, como a prova do 10 Batalhão de Polícia Militar, veio preencher um vácuo no calendário local. Para Matheus, o fenômeno não é passageiro. “A corrida de rua sempre será o esporte de Apucarana. Ela movimenta uma engrenagem imensa, das lojas de artigos esportivos às farmácias de manipulação. As pessoas agora não apenas esperam pela Prova 28 de Janeiro, elas treinam o ano todo para os outros eventos”, afirma.

Com a experiência de quem corre na cidade desde 2008, o organizador afasta a ideia de que o movimento seja apenas uma "modinha". “Basta sair na rua às 19h e ver a quantidade de praticantes. A corrida é um carro-chefe para quem procura saúde e qualidade de vida por ser um esporte acolhedor. Esse cenário vai perdurar por muitos e muitos anos ainda”, finaliza.



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AutorCircuito Sesc de Apucarana é segunda prova mais tradicional da cidade - Foto: Jair Ferreira


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